Quem ganha mais: as estrelas do atletismo ou esquiadores na Taça do Mundo?

Este artigo estava no “congelador” há meia dúzia de dias para utilizar já neste novo espaço, melhormarca.pt. Curiosamente, após alguma troca de opiniões num dos nossos últimos artigos no blog, atletismo.blogspot.pt, Mário Sousa revelou que as modalidades de inverno estão em constante mutação e por isso gozam de larga popularidade na maioria dos países europeus.
Por isso, ele aqui está: “Quem ganha mais: as estrelas do atletismo ou esquiadores na Taça do Mundo?”, artigo de Rich Perelman, editor da Sports Examiner.

Os esquiadores ganham todo o dinheiro, certo?

Afinal, os esquiadores alpinos competem na bela Taça do Mundo FIS, circuito que está na sua 51ª edição nesta temporada 2017-18, contando com 38 competições para homens (uma já vencida pelas condições atmosféricas) e 39 para mulheres, com uma bolsa total de prémios de cerca de 4,8 milhões francos suíços para homens e 4,9 milhões de francos suíços para as mulheres.
Como o franco suíço e o dólar dos EUA são de valor similar, isso significa que os esquiadores alpinos dividem uma bolsa total de dinheiro de prémio de cerca de 9,7 milhões de dólares.
Para ver o quão rico é este circuito de esqui, comparemos os seus ganhos com a Liga Diamante da IAAF, o primeiro circuito de atletismo que tem 14 eventos de abril a setembro e um total de 5,6 milhões de dólares em prémios em dinheiro.
Quantos atletas ganham prémios em dinheiro?
A pista distribui mais que o esqui: um total de 607 atletas ganhou dinheiro na Liga Diamante 2017, em comparação com 299 esquiadores, incluindo 136 homens e 163 mulheres.
Na verdade, isso é fácil de entender, já que os mesmos esquiadores competem em vários eventos e, apesar de lá se registarem 77 em competição na Taça do Mundo de esqui, há apenas cinco eventos em luta: Downhill, Super-G, Slalom Gigante, Slalom e Combinado (realizada apenas um par de vezes). Na pista, embora existam apenas 14 meetings, a série abrange 32 eventos para homens e mulheres, desde os 100 m aos obstáculos e oito das nove provas de saltos e lançamentos (sem martelo em 2017).
Aproveitamos por dar crédito à FIS por compilar e publicar uma lista sazonal de prémios em dinheiro; algo que a IAAF ainda não sentiu necessidade de fazer até agora. Assim os dados que temos foram coligidos de um site externo: “Track-Stats.com”.

Que atletas podem realmente ganhar a vida com os prémios nesses circuitos?

Esta é uma questão mais importante, já que os 63 dos “premiados da temporada” da Liga Diamante lograram 1.000 dólares ou menos e 127 ganhou 1.500 dólares ou menos. Entre os esquiadores, os premiados com 1.500 dólares ou menos eram 25 homens e 38 mulheres para um total de … 63 também. Vamos dividir:

 

Agora, a verdade é revelada: a maior parte do dinheiro vai para alguns e a grande maioria não recebe quase nada.
A Liga Diamante paga, para a maioria dos eventos, até aos oito primeiros. As corridas de esqui da Taça do Mundo pagam até ao 30º lugar, então a disparidade entre os desportos na parte inferior está bem ali.
Boas notícias para os melhores, também: é que há vários patrocinadores dispostos em investir. E aí, também são beneficiados os melhores, que são também os que mais prémios vencem.
Este é realmente o choque e o lado sombrio de montantes bastante substanciais em ambos os desportos.
De facto, cerca de 85% dos atletas de pista e 77% dos esquiadores ganham menos de 25.000 dólares por ano em dinheiro de prêmios. É verdade que no atletismo, para corredores de fundo com as provas de estrada, para os outros com algumas provas de pista coberta, existem mais algumas possibilidades de fazer dinheiro.

Há muitos esquiadores que ganham muito mais que as estrelas do atletismo. Porquê?

Elaine Thompson, líder de rendimentos

Porque as mesmas pessoas ganham uma e outra vez. Vejamos a ridícula comparação entre os esquiadores de topo e as maiores estrelas na pista:

 

Havia mais cinco esquiadores que ganharam mais de 200.000 francos suíços na temporada passada e 13 mais que fizeram de 100.000 a 200000. Então, no topo, até os melhores atletas de pista parecem “pobres”, principalmente porque o pequeno número de disciplinas – cinco no esqui contra 16 na pista – concentra a riqueza entre alguns esquiadores que vencem corrida após a corrida… como os vencedores da Taça do Mundo, Shiffrin e Hirscher.

Mikaela Shifrin, líder de prémios

No seu nível mais alto, o desporto é uma meritocracia, mostrada de forma mais dramática nesses números, onde dois terços (esqui) para três quartos (na pista) dos atletas não ganham quase nada. Mas é uma demonstração, uma vez mais, de que é preciso trabalhar mais para permitir que mais atletas ganhem a vida nos seus desportos.