Tempos de mudança e experimentação… passam pelo Algarve

Escadas
Treino... ou futura competição?

O atletismo é uma das modalidades desportivas mais antigas do Mundo, e acaba por ser uma das mais complexas de acompanhar em cada iniciativa, no caso de não haver informação e visibilidade adequada em cada momento, que permita ao público acompanhar o desenrolar do desempenho dos diferentes atletas. Por isso necessita de mudança. E é também complexa pelas múltiplas disciplinas que a compõem, que são as corridas, os saltos e os lançamentos.

Com o aparecimento de novas modalidades e com o aumento de popularidade de outras, o atletismo atravessa uma fase de quebra de interesse e participação em todo o Mundo, sendo excepção as grandes competições internacionais (Jogos Olímpicos, Mundiais e Europeus – no nosso caso) ou os milionários meetings da Liga Diamante. Isto no que concerne às provas de pista, já que as corridas em estrada estão em fase de aumento e enorme popularidade.

Há muito que as cúpulas da modalidade, no caso mundial, a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, na sigla inglesa), no aspecto continental, a Associação Europeia de Atletismo (AEA), monitorizam estes elementos e têm desenvolvido vários grupos de discussão sobre o assunto da quebra de popularidade e na falta de inovação que a modalidade apresenta, tentando encontrar novas fórmulas que possam interessar quer novos praticantes, quer público. No fundo procurando uma mudança significativa.

Este clima de mudança acentuou-se com as entradas em cena dos seus novos presidente, Sir Sebastian Coe, da IAAF, e Svein Arne Hansen, da AEA.

Rankings mundiais…

A nível da IAAF, Sebastian Coe está muito interessado em ver criado um “ranking” que possa ser visível e entendível para o público realçando os melhores atletas (ver nosso artigo em atletismo.blogspot.pt), ao mesmo tempo que esteve presente na edição experimental de 2017 de uma nova forma de disputa de provas na Austrália, o “Nitro Athletics”, competição de equipas, 12 homens e 12 mulheres, colocados a competir em várias provas (incluindo estafetas mistas), que teve ainda como “padrinho” e capitão de uma das equipas, o jamaicano Usain Bolt. Um princípio de mudança do esquema competitivo.

Essa competição decorreu em três dias diferentes em Fevereiro de 2017 e embora tenha colhido boa impressão de muitos dos intervenientes e tenha captado o interesse de diversas federações (deu em director em várias televisões nacionais), esperando a sua continuidade, a verdade é que a data deste ano ainda não está colocada na página da prova, nem tem continuidade (para já…) noutra qualquer paragem! Mudança adiada?

Mudança nos Jogos Europeus de 2019 em Minsk

Mas a AEA também está a fazer algumas experiências e tentando alcançar essa mudança. Depois dos primeiros Jogos Europeus em Baku, em que o atletismo foi a disputa da terceira divisão do Europeu de Selecções, os próximos Jogos, que terão lugar em Minsk 2019, não terão uma competição completa nem habitual, antes estreando um novo formato competitivo.
Nestes Jogos, que incluem 15 modalidades (Atletismo, Tiro com Arco, Badminton, Basquetebol 3×3, Voléi de Praia, Boxe, Canoagem sprint, Ciclismo, Ginásticas, Judo, Karate, Sambo, Tiro, Ténis de Mesa e Luta Livre), a nossa modalidade tem quota para 30 equipas de 23 elementos cada (masculinos e femininos), que terão cinco dias para qualificação de finais de 10 disciplinas, umas clássicas, outras modernas (como a estafeta final, mista, denominada “the hunt”, uma espécie de “apanhada”, em que as equipas partem separadas pela pontuação conseguida até ao momento! – um pouco como a partida da “laser run” no pentatlo moderno).

Este foi o acordo firmado entre o presidente da AEA, e o presidente do EOC (Comités Olímpicos Europeus), como se vê em notícia na página da AEA.

Evento DNA A.E.A. dia 13 de Janeiro no Algarve

Estávamos na nossa habitual ronda pelos calendários e apercebemo-nos que a experimentação da mudança pode passar por Portugal, quando deparámos com o calendário da Associação de Atletismo do Algarve: «Dia 14 – Evento DNA A.E.A.». 

O que é isto? Foi a nossa pergunta, sem resposta a nível nacional. Em busca internacional, que levou algum tempo, descobrimos algo na página do Opentrack (um novo conceito de gestão de inscrições e resultados para a modalidade, que também já conheceu uma conferência, promovida pela AEA, no Algarve, em Outubro).

E foi assim que descobrimos a realização da primeira sessão experimental do DNA (Dynamic New Athletics), que decorreu na pista de atletismo de Wimbledon Park (em Setembro).

E é no seu panfleto, que lemos que o «DNA é um novo e emocionante formato de atletismo proposto pela AEA. Tem como objetivo proporcionar uma arena para os clássicos conjuntos de habilidades de atletismo; sentindo que é vital preservar o património e o DNA do atletismo, mas num espaço temporal mais curto. No seu núcleo existe o conceito de competir por uma equipa.

Haverá estafetas mistas e desafios directos, homem-a-homem, todos os saltos e lançamentos contarão. O final, “the hunt”, ou “apanhada”, conclui o programa com uma estafeta em que as equipas partem separadas pelo classificação e pontuação conseguidas até esse momento; o vencedor ganhará tudo, mas os melhores desempenhos em cada disciplina anterior dará às equipas importantes vantagens pontuais. Tudo isto será acompanhado também com uma mudança nos meios tecnológicos, permitindo que os espectadores sigam os procedimentos nos seus dispositivos móveis.» 

Segundo esse documento, este formato será realizado entre as equipas nacionais da Europa nos Jogos Europeus em Minsk, Bielorrússia em 2019.

Também é projectado para ser divertido e acessível para os clubes, e será promovido na Europa no próximo verão, acontecendo antes disso, já este mês no Algarve, em Vila Real de Santo António.