Britânicas querem distâncias iguais aos homens no corta-mato

Crosse de Edimburgo (foto da organização)

Corre uma petição na Grã-Bretanha para que as distâncias das provas de corta-mato sejam idênticas para ambos os sexos. Essa petição das britânicas, iniciada por Maud Hodgson, dos “East London Runners”, é dirigida ao presidente da Associação Inglesa de Corta-Mato, John Temperton, e já juntou mais de 1000 assinaturas.

Essa petição levou a um artigo de opinião de Robbie Britton, no site fastrunning.com, que aborda vários lados do assunto, inclusive a opinião de Brian Hanley, docente em desporto e biomecânica na Universidade Leeds Beckett, que ficou intrigado com este tema e realizou um estudo sobre as duas corridas de 10 km do Mundial em Kampala, em 2017.

Para Hanley, «nas corridas masculinas e femininas, os grupos desaceleraram nos estágios iniciais das suas provas, mas então aceleraram ou mantiveram o ritmo durante a última volta. Houve poucas diferenças entre os grupos em relação aos perfis globais de estimulação, ou entre os sexos».

«O acabamento rápido dos homens contrasta com os acabamentos mais lentos encontrados nas edições anteriores (mais de 12 km) e o grau em que as mulheres eram mais lentas do que os homens (aproximadamente 12%) era muito parecido com as corridas de pista e mostrava que a decisão de igualar as distâncias percorridas por ambos os sexos era positiva», concluiu.

Outros olhares

Contudo, vários outros agentes desportivos versaram a opinião de que é importante haver um estudo bem mais profundo, já que o desenvolvimento fisiológico de homens e mulheres não é idêntico, assim como as distâncias das corridas mais longas em cada escalão, que poderiam levar a um degrau demasiado elevado entre juniores e seniores femininos.

Mas, as corredoras britânicas contrapõem com o facto de algumas corredoras em trilhos e montanha, várias vezes “mordem os calcanhares” aos melhores homens nessas competições.

Quem já está a realizar os campeonatos de corta-mato com distâncias idênticas é a Escócia e, segundo o artigo que citamos, o “feedbak” das mulheres é bastante positivo.