Seis horas à espera de controlo anti-doping

Christian Coleman pode perder recorde mundial

Nos últimos dias o doping, os seus sistemas e as suas atuações têm sido comentados em vários locais. Por boas ou más práticas ou interpretações.

Ora, após a sua brilhante corrida na passada sexta-feira, Christian Coleman viu ser anunciada a sua marca como recorde mundial e essa informação correu o planeta inteiro, quase tão rápido como os 6,37 segundos que ele gastou a correr os 60 metros na universidade de Clemson.

Na sexta-feira, a estrela de sprint dos Estados Unidos, Christian Coleman, correu o melhor tempo possível no traço de 60 metros quando ele executou 6.37 em Clemson, .02 de um segundo mais rápido que o recorde mundial 6.39 de Maurice Greene.

Porém, alguns dias depois, perpassa a dúvida sobre a ratificação ou não da marca por parte da IAAF como recorde mundial. Contudo, segundo as regras dos Estados Unidos, pode ser considerado recorde nacional.

Blocos certificados pelos Estados Unidos mas inválidos para a IAAF

O Regulamento da IAAF, na sua regra 260.14 (e), tem; «para provas até e incluindo 400m (incluindo 4 × 200m e 4 × 400m), nas Regras 261 e 263, os blocos iniciais ligados a um Sistema de Informações de Partida com Certificado da IAAF de acordo com a Regra 161.2 devem ter sido utilizados e ter funcionado corretamente para que os tempos de reação à partida sejam mostrados nos resultados do evento».

Ora, em Clemson não existem esses blocos, mas sim outros certificados pela Federação Norte-Americana, e nenhum tempo de reação foi registado.

Outra regra da IAAF – Regra 260.3 (e) -, regista que para os recordes mundiais, um atleta deve “submeter-se ao controle de doping no final do evento”.

Ora isso não aconteceu com Coleman, que foi testado cerca de seis horas depois, numa estação de serviço na estrada entre Clemson e Atlanta, pois não havia um médico do controlo anti-doping disponível e também não havia a garantia de que os formulários adequados para o teste no que respeita para um recorde mundial estavam disponíveis!

Jovens benfiquistas também esperaram horas em Pombal

Curiosamente, no mesmo fim-de-semana, mas em Portugal, os jovens benfiquistas (estafeta de 4×200 m e do heptatlo) que bateram recordes nacionais de juniores também foram obrigados a aguardar várias horas pela presença do controlo anti-doping indispensável para a ratificação dos recordes (algo que falhou clamorosamente no passado, com prejuízo de vários atletas).

Jovens benfiquistas e seccionista à espera do controlo (foto José Rosa)

Tudo bem, no que respeita ao princípio, mas um pouco surreal na forma como tudo aconteceu, já que o regulamento prevê que após um recorde os atletas tenham 24 horas para se apresentar a fazer o controlo. Contudo, por imposição do presidente da ADoP, os atletas na esmagadora maioria de Lisboa, tiveram que esperar em Pombal até que chegasse a médica do controlo… que vinha precisamente de Lisboa.

Depois, a agravar um pouco a situação, não tinha os “kits” suficientes para concretizar todos os controlos… e lá foi, de Lisboa, uma remessa se kits que atrasou ainda mais a situação.

As provas terminaram cerca das 13 horas, os jovens só ficaram “livres” já passava das 19 horas. Seis horas, mais ou menos, como Coleman!