Nelson Évora voa no Meeting de Madrid… mas brasileiro surpreende

O Nelson Évora em pista coberta dos últimos 10 anos (foto arquivo)

Nelson Évora mostra-se ao mundo em ano da maior prova de pista coberta do planeta e inflige a primeira derrota a Pedro Pablo Pichardo nos duelos entre ambos. O Meeting de Madrid apostou nesta prova de triplo-salto e não viu defraudados os seus intentos já que os portugueses (embora, aos olhos das competições da IAAF, Pichardo ainda seja cubano), estiveram acima dos 17 metros… só não contavam que outro atleta de língua oficial portuguesa os surpreendesse, o brasileiro Almir dos Santos.

No final, Nelson Évora, que começara a época com 16,38, em França, viria a saltar 17,30 metros, conseguindo vencer pela primeira vez Pichardo, que ficou com 17,01 metros, mas nenhum dos dois esperava ver o brasileiro Almir dos Santos ganhar a prova com a marca de 17,35 metros, melhor marca mundial do ano!

O primeiro ensaio de todos estava equilibrado, com o brasileiro a fazer 16,96 metros, com Évora a saltar 17,02 (a ficar na frente do concurso), e Pichardo, o último a fazer 16,93.

No segundo ensaio, o brasileiro saltou apenas 14,93 e Évora fez 17,30, o seu melhor salto dos últimos 10 anos, a escassos três centímetros do recorde de Portugal. Pichardo ainda respondeu com a sua melhor marca desta noite (17.01).

Um brasileiro voador

Mas depois o brasileiro voou como nunca o fez antes e saltou 17,35 metros (ainda fez outro salto a 17,19). Évora falhou todos os outros ensaios, e Pichardo não mais chegou aos 17 metros.

Uma nota: o brasileiro (de 24 anos), há dois anos saltava 14,33 metros! Porém, começou na altura (chegou a 2,18) e depois dedicou-se aos saltos horizontais (tem 7,96 no comprimento), e este ano, em competições nos Estados Unidos, já saltara 17,06, antes deste pulo para a liderança mundial (e mínimos para Birmingham).

Cátia e Rolim em Madrid

A prova madrilena teve ainda a participação de dois atletas portugueses. A sportinguista e recordista nacional, Cátia Azevedo, esteve na final principal dos 400 metros e cortou a meta em quarto lugar com 53,98 segundos, a escassos dois centésimos da sua melhor marca deste ano, com a sua prova a ser vencida pela suíça Lea Sprunger (51,61), medalha de bronze dos 400 m barreiras nos europeus de 2016.

Nos 1500 metros, o benfiquista Emanuel Rolim, terminou no 7º lugar da final B, com a marca de 3.44,38. Nesta distância, na final principal, o vencedor foi Ayanleh Suleyman, do Djibouti, com 3.38,47.

Lasitskene (2,00) tentou recorde mundial

Num meeting em que a russa Marya Lasitskene (saltou 2,00) tentou, sem sucesso, bater o recorde mundial (com 2,07), a surpresa veio dos 400 m, com o espanhol Oscar Husillos a surpreender com um triunfo em 45,86 (recorde de Espanha), derrotando Luka Janezic (Eslovénia, 46,08) e o checo Pavel Maslak (46,14).

Na vara, o grego Konstadinos Filipidis fez 5,85 e surpreendeu o polaco Pawel Lysek (5,80), enquanto o checo Tomas Stanek continuou a mostrar a sua forma lançando 21,69 metros no peso.

Nos 1500 m femininos, a etíope Genzebe Dibaba fez agora 4.02,43, a sueca Meraf Bahta venceu os 3000 metros em .8.42,46.

Uma última nota para os 60 metros, em que o norte-americano Michael Rodgers venceu em 6,63, com o momento triste a surgir da lesão grave (rotura do tendão) do agora espanhol (uma naturalização que tardou quatro anos, porque, entretanto, devido a um empresário que não lhe deixou saudades, havia outro pedido para ser… turco!), Yunier Perez, que estava a bater os recordes espanhóis de velocidade.