Heróis improváveis nos Campeonatos de Portugal

Campeonatos em pombal continuam hoje (fotos de Marcelino Almeida)

Apesar de algumas das “estrelas” não terem comparecido às provas em que se tornaram célebres (especialmente Nelson Évora, pré-seleccionado para os Mudniais), os Campeonatos de Portugal proporcionaram vários resultados interessantes.

Assim, na esfera dos “heróis improváveis”, eis que surge Samuel Remédios, que em 2016 ficara a 41 pontos do recorde de Portugal no heptatlo, que pertence a Mário Aníbal, atual treinador do atleta do Juventude Vidigalense, que lidera a primeira jornada 3392 pontos, muito graças a três recordes pessoais (!): no salto com comprimento, com 7.52 metros, no lançamento do peso, com 13.70 metros, e no salto em altura com 2.03 metros, ficando ainda a escassos 2 centésimos de segundo do seu recorde pessoal de 60 metros, registando 6.92 segundos.

Quando Mário Aníbal estabeleceu o recorde de Portugal, em Gent, somava no final da primeira jornada 3281 pontos, vendo hoje o seu pupilo somar mais 111 do que a marca alcançada por si, a 25 de fevereiro de 2000.

Primeiro título de Pichardo

Já se esperava, após as declarações no meeting de Madrid, que Nelson Évora estaria ausente, o que não aconteceu com Pedro Pablo Pichardo (SL Benfica), que saltou em Portugal, pela primeira vez com a nova nacionalidade, fazendo 16.73 metros (como português tem à sua “frente” Nelson Évora – 17,35, e Carlos Calado – 17,09), derrotando Carlos Veiga, do Sporting (16.34 metros, recorde pessoal, quarto de sempre), e Tiago Pereira, do Benfica (16.30 metros, recorde pessoal, quinto de sempre!).

Um dos “heróis prováveis”, tal o empenho e vontade que põe nestas ocasiões, é o marchador do Sporting, João Vieira, que se sagrou campeão de 5000 metros marcha masculinos em 19:33.41 minutos, facto que conseguiu pela 18ª vez (e tem um total de 46 títulos nacionais em todas as vertentes!), que viu Miguel Carvalho, do Benfica, fazer 19.44,10 (quarto português de sempre).

400 metros dispersos

Nos 400 metros, Ricardo Santos, Benfica, voltou aos títulos, registando 47,50, à frente do cabo-verdiano Jordin Andrade, do Sporting (48.42) e do cubano Raidel Acea, do Benfica (46,66). Mas ao pódio dos campeonatos subiram o benfiquista Mauro Pereira (48,70), vencedor de uma das séries, e o sportinguista André Marques (48,83), vencedor de outra série…

Nos 1500 metros masculinos, numa fraca prova tática, surgiu o queniano Davis Kiplangat, do Sporting, que correu em 3.52,03 minutos, à frente de Nuno Pereira, do Estreito (3:53.08). Beneficiário disso foi Miguel Mascarenhas, do Benfica, relegado para a segunda série, que venceu em 3.52,52 minutos, sagrando-se campeão.

Os 60 metros, cumpriram a sua “promessa”, revelando um Ancuiam Lopes, do Sporting, que triunfou com um recorde pessoal de 6,65 segundos, à frente de Carlos Nascimento (Sporting), que fez 6,70, enquanto o benfiquista Pedro Curvelo foi terceiro com 6.78.

No salto com vara, registe-se o “regresso” de Ruben Miranda, do Sporting, que venceu a vara com 5,44 mm derrotando o seu colega de equipa Edi Maia e o benfiquista Ícaro Miranda, tendo ambos terminado com 5,32.

Onde estão as “estrelas” femininas?

Nas provas femininas da primeira jornada poucas foram as atletas de entre as melhores portuguesas a comparecer. Mais ainda que nos homens. Felizmente houve algumas que resolveram surgir em boa forma…

Uma delas foi Lorene Bazole, incontestada rainha da velocidade, vencendo em 7,30 segundos, com a marchadora Ana Cabecinha, do Pechão, a vencer os 3000 m marcha em 12.39,39, à frente da colega de equipa Edna Barros, que fez 12.48,51, novo recorde pessoal e subida a sexta portuguesa de sempre!

Nas restantes provas, notas para o triunfo de Rivinilda Mentai (Benfica), nos 400 m, com 54.72 segundos; para o triunfo de Marta Onofre, do Sporting, na vara (4,25), derrotando a colega de equipa Leonor Tavares (4.15); para a luta no comprimento, com Evelise Veiga (Sporting), com 6,22, a derrotar por cinco centímetros a benfiquista Teresa Vaz Carvalho (6,17); e para o lançamento do peso, com Jessica Inchude (Sporting), a vencer com 16.41m.

Os tempos fracos compensados pela entrega final… (foto Marcelino Almeida)

Muito fraco…

Depois as provas mais fracas dos campeonatos: altura, com vitória dividida de Catarina Queirós (Jardim da Serra) e Catarina Fonseca (Sporting), com ambas empatadas a 1,73m; e 1500 metros femininos, com Carla Reis, do Vidigalense, a vencer em 4.40,80 (uma marca fraca)!