Nacional de Clubes: reconquista do Benfica e Sporting hegemónico

A festa final da reconquista do Benfica

A final da I Divisão masculina do nacional de clubes, que tinha começado emotiva, terminou em grande, com dois recordes nacionais (peso e estafeta de 4×400 m), e um triunfo do Benfica, por um escasso ponto, precisamente na estafeta.

Tsanko Arnaudov no lançamento do peso e a estafeta de 4×400 metros do SL Benfica composta por Mauro Pereira, João Coelho, Raidel Acea e Ricardo dos Santos, bateram os recordes de Portugal nas respectivas provas.

No lançamento do peso, Tsanko Arnaudov deixou para o último ensaio do concurso os 21.27 metros com que presenteou o muito público que encheu a Expocentro de Pombal, acrescentando 19 centímetros à marca que tinha conseguido a 4 de março de 2017, em Belgrado, e que constava das listas como Recorde de Portugal de Pista Coberta.

Recorde de Portugal de pista coberta

Com a marca conseguida este domingo em Pombal, o atleta do Benfica é sétimo no Ranking Mundial de 2018, mostrando-se como um dos candidatos a lutar pela passagem à final nos Campeonatos do Mundo de Pista Coberta, que decorrem em Birmingham, de 1 a 4 de março.

Para ele, «o primeiro objectivo era vencer para o Benfica, depois a marca. Estive a trabalhar com psicólogos para ultrapassar uma questão: lançava mais de 21 metros nos aquecimentos, mas na competição não conseguia isso! Já tenho seis ou sete provas acima de 20 metros e continuava a ver que não dava. Hoje surgiu o fruto desse trabalho! Mas, o pico de forma está apontado para os mundiais. Até lá é uma luta diária!».

Recorde dos 4×400 metros

Na última prova do programa, os 4×400 metros, o Benfica, que precisava vencer, conseguiu mais um recorde de Portugal de Pista Coberta, com a sua equipa de estafeta a completar a prova em 3:12.54 minutos e a tirar 2.34 segundos à anterior marca, que pertencia ao Sporting desde 2 de fevereiro de 2003.

Para chegar aí, numa das provas mais mediáticas, o luso-cubano Pedro Pablo Pichardo (Benfica) saiu vencedor no primeiro duelo no triplo salto em solo nacional com Nelson Évora (Sporting).
«Foi uma prova, penso que a vitória foi importante para a equipa, que precisava destes pontos para tentar ganhar”, referiu Pichardo, recém-naturalizado, antes do tiro de partida para a estafeta 4×400 metros, que viria a selar a recuperação do título pelo emblema das ‘águias’.

Primeiro triunfo de Pichardo em nacionais

Pichardo iniciou a penúltima prova do programa da competição com um salto de 17,19 metros, que lhe valeu a vitória, ao que o ex-benfiquista e campeão olímpico de 2008 respondeu com 16,83.
Seguiram-se dois nulos de Pichardo e um de Évora, que chegou aos 17,06 finais – antes de encerrar a competição com outro nulo -, enquanto o saltador ‘encarnado’ fechou com 17,15, marca que também daria para ganhar o concurso.

Sem pressão, com rivalidade

«Não há nenhuma pressão, é competição, só tínhamos competido uma vez, em Madrid, onde ele saiu vitorioso. Penso que é um bom rival, mas não me aumenta a pressão, porque dou sempre o máximo nos treinos e na competição», referiu o saltador.

Por tudo isto, a diretora técnica do atletismo do Benfica, Ana Oliveira, reconheceu hoje ser mais saboroso reconquistar o título masculino de atletismo em pista coberta, dado o reforço da equipa do Sporting, anterior campeão.




 

Triunfo saboroso e meritório

«Ganhar é sempre saboroso e nós trabalhamos diariamente, há muitos anos, para ganhar. Ganhar assim, com o Sporting mais reforçado, é evidente que sabe bem melhor, mas não há vitórias fáceis, são sempre difíceis, mesmo as que são conquistadas com muitos pontos de diferença», afirmou Ana Oliveira.

Em Pombal, o Benfica recuperou o título nacional, por um ponto (100-99), naquele que foi o oitavo ceptro masculino, contra os 17 dos ‘leões’, que em 2017 interromperam a série de cinco títulos consecutivos dos ‘encarnados’.

«O Sporting sempre apostou muito no atletismo, no ano passado apostou de forma diferente, veio buscar muitos atletas ao Benfica e hoje as suas possibilidades aumentaram com atletas, na sua maioria, formados no Benfica. Isso não tira mérito ao Sporting, nem dá demérito ao Benfica, é a competição», frisou a responsável ‘encarnada’.

O azar do Benfica em 2017 e agora do Sporting

Este ano, o Benfica beneficiou da desclassificação de Jordin Andrade (Sporting) nos 400 metros – tinha sido segundo atrás do benfiquista Ricardo dos Santos –, depois de, em 2017, os ‘leões’ terem arrebatado o título por cinco pontos (104-99), dada a ausência de Marcos Chuva na prova do salto em comprimento, sem possibilidade de substituição.

«Nós, no ano passado, também perdemos por azar – lesão de um atleta -, portanto estamos quites, para o ano cá estaremos outra vez e que continue a ganhar o melhor. Este ano tivemos mais sorte do que azar, mas fomos campeões com todo o mérito», recordou Ana Oliveira.

A responsável ‘encarnada’ dedicou o triunfo a Luís Filipe Vieira, por ter apoiado sempre a modalidade: «Quero muito dedicar esta vitória ao nosso presidente, não só pelos momentos em que ganhámos e estivemos muito fortes, mas pelos maus momentos que passámos, nos quais esteve sempre do nosso lado, dando-nos força e estrutura para continuar a lutar e hoje recuperarmos este título nacional».

O pódio masculino ficou completo com o Sporting de Braga.

Classificação colectiva final da I Divisão masculina: 1º. SL Benfica,100; 2º. Sporting CP, 99; 3º. SC Braga, 68; 4º. J. Vidigalense, 61.5; 5º. GD Estreito, 56.5; 6º. CA Seia, 45; 7º. A Jardim da Serra, 45; 8º. Maia AC, 27.

Sporting com 23 títulos em 25 edições

Em femininos, o Sporting até apresentou Sara Moreira e fez a “limpeza” total em triunfos individuais em todas as provas do programa da segunda jornada, destacando-se no triplo, Evelise Veiga com melhor marca nacional do ano no triplo, os 800 m de Cátia Azevedo, e na vara, com Marta Onofre a igualar a melhor marca do ano.

A garra leonina de Cátia Azevedo

No final, o Sporting conseguiu uma diferença de 26 pontos sobre o Vidigalense, com o Braga a subir ao último degrau do pódio.

Com este triunfo o Sporting assegurou o seu 23.º título nacional feminino em 25 edições, mas os responsáveis e atletas ‘leoninos’ escusaram-se a prestar declarações, dando cumprimento a instruções da direção do clube, um dia depois de o presidente Bruno de Carvalho ter apelado a um boicote à comunicação social.

Classificação colectiva final da I Divisão feminina: 1º. Sporting, 105 pontos; 2º. Juventude Vidigalense, 79; 3º SC Braga, 66; 4º. SL Benfica, 65; 5º. A Jardim da Serra, 54; 6º. GD Estreito, 53; 7º. GRECAS, 46; 8º. ACR Sª Desterro, 34.

GA Fátima (femininos) e AC Póvoa de Varzim fazem história

Pela primeira vez no seu historial, o Grupo de Atletismo de Fátima, em femininos, e Atlético Clube da Póvoa de Varzim, em masculinos, sagraram-se campeões nacionais da II Divisão de Clubes em Pista Coberta, numa competição realizada na Expocentro em Pombal.

GA Fátima campeão da segunda divisão

Em femininos o GA Fátima somou 82 pontos, seguindo-se o União Clube Eirense com 69 pontos e com o Clube Oriental de Pechão a ocupar a terceira posição do pódio com 68 pontos (que apresentou Ana Cabecinha nos 3000 metros).

Em masculinos, com estafeta final e 4×400 metros a decidir muito, o AC Póvoa de Varzim venceu com 79 pontos, numa disputa intensa com o GRCAS de Vagos, que foi segundo com 77 pontos, com o Núcleo de Atletismo de Cucujães a ser terceiro classificado com 68 pontos.

Resultados completos na página da FPA.

Texto: António Manuel Fernandes (com agência Lusa); Fotos: António Manuel Fernandes (visite o pequeno álbum)