Por dentro de Birmingham’2018

Mau tempo afecta mundial

Por Pedro Pires, em Birmingham, especial para MelhorMarca.pt

Após as duas primeiras sessões dos Mundiais de Pista Coberta, Birmingham’2018, podemos já fazer uma pequena análise do que vai correndo bem, mal ou assim-assim, pela capital do Atletismo britânico.

Antes, ficamos com um pequeno vídeo de um salto de Lecabela Quaresma, que compete no pentatlo, onde vai no 9º lugar.


 

As condições climatéricas e o seu impacto nos Campeonatos

É um chavão dizer que o Atletismo Indoor não é afectado pelas condições climatéricas. Claro que também afecta! A começar pelo que em casa todos com certeza conseguem observar, mas não sentir como sentimos ao vivo.

A Grã-Bretanha está a enfrentar uma das maiores vagas de frio e de condições adversas dos últimos 50 anos. Neve, gelo, vento frio, chuva…tudo isto como resultado da conjugação de duas tempestades que afectam o território britânico (uma vinda do Sul e outra do Norte), e que apesar de trazer temperaturas na casa dos -3/-4 graus, a verdade é que a sensação térmica anda abaixo dos -13 graus, mesmo de dia! Isso reflecte-se na lotação do pavilhão, onde se vê algumas clareiras.

Ainda hoje na sessão matinal, cerca de 30% dos lugares do pavilhão estavam reservados para as escolas locais. Acontece que as escolas estão encerradas em Birmingham, pelo que a grande maioria desses bilhetes não foram utilizados, uma vez que os encarregados não estavam disponíveis para transportar esses alunos.

Também causou complicações sérias a atletas e até alguns da “casa”: Laura Muir (GBR), por exemplo, teve o seu voo interno cancelado, tendo que fazer uma viagem de 17 horas de táxi para poder estar em Birmingham. Tatjana Pinto e parte da equipa germânica só ontem à noite conseguiram chegar a Birmingham devido ao mau tempo, que fechou o aeroporto durante largas horas e cancelou alguns voos. Hoje Tatjana enfrenta as 3 (!) provas dos 60 metros (uma já foi), caso se apure para a final. Estará nas melhores condições? Mesmo os outros atletas, têm por vezes de fazer curtas distâncias a pé e atravessar essas duras condições climatéricas. Ainda há pouco, quando íamos almoçar, vimos ao nosso lado a caminhar a cubana Yorgelis Rodriguez, do Pentatlo. A atleta lidera para já o Pentatlo e as restantes provas são já hoje à tarde. Ainda que os atletas vão, obviamente, recuperar e voltar a aquecer, são condições longe das ideais.

Problemas de Visto

Infelizmente é algo mais natural do que devia e bastante comum em território britânico.

Desta vez, as mais recentes vítimas são, nada mais nada menos, do que os dois favoritos nas provas de 800 metros (Emmanuel Korir, do Quénia) e 1500 metros (Ayanleh Souleiman, do Djibouti) que não conseguiram ter a sua documentação a tempo para competir em Birmingham’2018.

A Organização de Birmingham’2018

Dentro do possível, a organização tem sido do melhor, especialmente para os espectadores, como é hábito inglês. Áreas bem definidas no pavilhão, que é um dos melhores do mundo para a prática do Atletismo, para assistir ou para trabalhar para os jornalistas que acompanham as provas. Muitos voluntários ajudam sempre que existe alguma dúvida, notando-se o preparo e a experiência que o país e a cidade têm em receber eventos desta grandeza.

Organização cuidada

Ainda assim, é tema muito falado entre atletas, treinadores e imprensa, que nem tudo correu bem no primeiro dia do evento. Aliás, é opinião comum que ter os campeonatos divididos em 4 dias pode ser muito bom, caso tenhamos, de facto, quatro dias de evento e não o formato actual que é de “3+1”, sendo que o primeiro dia mais parece de “aquecimento”.

É algo a rever pela IAAF, que aumentando a prova para reais quatro dias poderá dar espaço a mais atletas e a provas não tão a “despachar”, como foram, por exemplo, as do salto em altura no dia de ontem.

Alguns dos treinadores também se queixaram ontem do atraso na prova de 3.000 Metros para que o Salto em Altura feminino pudesse terminar.

As desqualificações

Não tendo ainda ocorrido a maioria das provas de velocidade, é de realçar e estranhar o número enorme de desqualificações que tivemos na manhã de hoje. Destaque para os 400 metros, onde todos os atletas de uma série foram desqualificados (por correr fora do seu corredor), que é, segundo o estatístico Mark Butler, algo inédito na história.

Uma das desqualificações foi a do líder mundial do ano, Bralon Taplin, de Granada. Também Paul Chelimo (EUA) foi desqualificado dos 3.000 metros (junto com 3 outros atletas) por pisar fora da pista.

O que aí vem

O melhor está para vir, não há dúvidas. Ainda que a final dos 3.000 metros femininos de ontem tenha sido de uma enorme qualidade, as coisas começarão a aquecer mais logo em pista com quatro finais, e amanhã o ambiente deverá ser escaldante com 11 finais ao longo do dia.

Cátia Azevedo competiu de manhã

No que diz respeito à participação portuguesa é também amanhã que viveremos as maiores emoções, com a presença de Nelson Évora e Tsanko Arnaudou na final do triplo e do lançamento do peso.

Quanto ao frio, parece que o mesmo se irá manter, com uma ligeiríssima subida da temperatura.

Fotos de Pedro Pires