Uma corrida de estafeta galáctica em Birmingham´2018

O quarteto da Polónia que bateu recorde mundial (foto Getty Images for the IAAF)

A maior surpresa dos campeonatos Mundiais de Pista Coberta surgiu na estafeta de 4×400 metros masculinos, com a Polónia a surgir nos últimos 100 metros, através de Jakub Krzewina, a derrotar os Estados Unidos, cujo último elemento, Vernon Norwood, não teve argumentos (apesar de forçar a corrida do polaco para as pistas de fora…), para evitar ser superado pelo polaco.

Assim, Karol Zalewski, Rafal Omelko, Lukasz Krawczuk e o citado Krzewina, cortaram a meta em primeiro lugar, com um recorde Mundial em 3.01,77! Fantástico.

Polónia repetiu feito de 2001… em Lisboa

Este quarteto repetiu o feito de uma outra formação da Polónia que triunfou nos Mundiais de 2001… em Lisboa!

Os norte-americanos ficaram em segundo lugar (3.01,97, melhor marca do ano), e a Bélgica chegou ao bronze, com recorde nacional (3.02,51). Ao quarteto de Trindade e Tobago, campeão mundial há dois anos, não chegou bater o seu recorde nacional com 3.02,52, para chegar ao pódio!

As quatro formações entram na lista das 11 equipas mais rápidas de sempre!

Ranking de 4×400 m pista coberta

 

A estafeta feminina também foi soberba, com a formação dos Estados Unidos (Quanera Hayes, Georganne Moline, Shakima Wimbley e Courtney Okolo) a vencer em 3.23,85, recorde dos campeonatos. A formação da Polónia (3.26,09), fez um recorde nacional, com a Grã-Bretanha a fechar o pódio com a melhor marca do ano (3.29,38).

Lavillenie vai em três títulos

O salto com vara masculino registou uma luta muito interessante mesmo no final, com três “suspeitos” do costume, o francês Renaud Lavillenie, o norte-americano Sam Kendricks e o polaco Piotr Lysek. Este último, tentou sempre saltar a 5,90, falhou e terminou em terceiro com 5,85. Kendricks depois de falhar duas vezes a 5,90 e ao ver Lavillenie passar à segunda, deixou uma tentativa a 5,95… e falhou. Lavillenie dispensou de saltar a essa altura e com o título na mão, tentou os 6,00 metros, sem sucesso.

Três títulos para Renaud Lavillenie (foto Getty Images for the IAAF)

Este foi o terceiro triunfo de Lavillenie (venceu em 2012 e em 2016), que está a um título de igualar Sergey Bubka.

Antes disso, já tinham ficado pelo caminho o campeão mundial de 2015, Shawn Barber (5,45) e o campeão olímpico Thiago Braz (5,60); e com os jovens Kurtis Marschall (5,80, recorde pessoal), Emannouil Karalis (5,80, recorde pessoal) e o alemão Raphael Holzdeppe (5,80), a “abandonarem” a luta pelo pódio.

Finalmente… Spanovic

Ivana Spanovic campeão mundial no comprimento (foto Getty Images for the IAAF)

Birmingham’2018 assistiu a um emocionante o salto em comprimento, com a Sérvia Ivana Spanovic a triunfar com 6,96, a melhor marca mundial do ano, derrotando a campeã mundial nas três últimas edições de pista coberta, a norte-americana Brittney Reese, que fez a sua melhor marca da época (6,89).




 

 

A alemã Sosthene Moguenara-Taroum foi a terceira (6,85) e a quarta foi a norte-americana Quanesha Burks (6,81), com recorde pessoal.

Francine Nyonsaba… como Caster Semenya

Nos 800 metros femininos, a favorita, Francine Nyonsaba, do Burundi, venceu como quis, em 1.58,31, melhor marca mundial do ano, derrotando a norte-americana Ajee Wilson (1.58,99) e a britânica Shelayna Oskan-Clarke (1.59,81), ambas com recordes pessoais.

Francine Nyonsaba venceu os 800 m (foto Getty Images for the IAAF)

O pavilhão em Birmingham’2018 “aqueceu” com os 60 m barreiras, prova que o britânico Andrew Pozzi venceu em 7,46 segundos, derrotando por apenas um centésimo (!) o norte-americano Jarret Eaton (7,47) com o francês Aurel Manga a ser terceiro em 7,54. O cipriota Milan Trajkovic, que na meia-final impressionara com um recorde nacional (7,51), fez uma falsa partida e ficou fora da luta pelas medalhas.

As piores provas de sempre

Já as provas de meio-fundo curto masculinas ficaram aquém do esperado. Sempre muito lentas, com tudo a decidir-se nas voltas finais, com desfechos inesperados nalguns casos. Nos 3000 m triunfou o etíope Yomif Kejelcha, a última aquisição do Projeto Oregon, liderado por Alberto Salazar, antigo treinador de Mo Farah, com 8.14,41, a marca mais lenta de um vencedor desde sempre!

Yomif Kejelcha (20 anos) venceu os 3000 m com pior marca de sempre (foto Getty Images for the IAAF)

Para se ver como foi lento, refira-se que a melhor marca de Kejelcha deste ano é 7.38,67, meio minuto mais rápida! O segundo lugar foi para outro etíope, Selemon Barega (8.15,59) e o terceiro foi o queniano Bethwell Birgen (8.15,70), que impediu um triplete etíope (o quarto foi o etíope Hagos Gebrhiwet, com 8.15,76).

Também os 1500 metros foram para a Etiópia, para Samuel Tefera, que venceu no sprint final com 3.58,19 – também a marca mais lenta de sempre de um vencedor (!) -, seguido do polaco Marcin Lewandowski (3.58,39) e do marroquino Abdelaati Iguider (3.58,43), que nos últimos 50 metros passou de primeiro para terceiro!




 

 

Estados Unidos à frente em medalhas nos mundiais de Birmingham’2018

Em termos de medalhas, em Birmingham’2018, uma vez que não contam as dos atletas russos, triunfo dos Estados Unidos com um total de 18 (6 de ouro, 10 de prata e 2 de bronze).

A Etiópia ganhou quatro títulos (e cinco medalhas), enquanto com dois títulos ficaram a Polónia (5 medalhas), Grã-Bretanha (7) e a França (3). Portugal, sem medalhas de ouro ou prata, ficou em 24º lugar, igualado com 8 países.

Em termos de pontuação, esmagador domínio dos «Estados Unidos (208 pontos), contra 61 da Grã-Bretanha e 57 da Etiópia. Portugal ficou em 26º lugar com 8 pontos (um terceiro e dois oitavos lugares) entre 48 nações classificadas.