Julien Wanders: no Quénia atrás do sonho

Julien Wanders (foto de Thomas Gmür/ATHLE.ch, para a Spikes)

Na sequência do nosso artigo sobre o Mundial de Meia Maratona que decorreu no mês passado em Valência, o nosso seguidor Paulo Paixão Miguel chamou a atenção para o resultado do melhor europeu na prova, o suíço Julien Wanders, oitavo classificado, acrescentando o facto de ele treinar no Quénia.

Numa parceria com a revista “Spikes”, o “MelhorMarca.pt” deixa aqui umas breves notas sobre este jovem (21 anos!) atleta, num trabalho assinado por Cathal Dennehy, com fotos e vídeo de Thomas Gmür/ATHLE.ch.

Como estudante, Julien Wanders explorou o assunto do domínio dos corredores de longa distância do Quénia, levando-o a tomar uma decisão que mudou a sua vida aos 18 anos. Quatro anos depois, essa opção já dá lucro.

Inspiração nos melhores

“É uma vida estranha”, diz Julien Wanders, a quase seis mil quilómetros de casa, enquanto respira o ar fresco de altitude de Iten, no Quénia.

“Mas, afinal, é preciso ser um pouco louco para ser um bom corredor”, acrescenta. “Em todos os desportos, temos de nos inspirar nos melhores e, no atletismo, os melhores são quenianos e etíopes. Então o melhor é vir aqui, ver o que eles estão fazendo e aprender como se tornar um campeão.”

Tendo passado a maior parte dos últimos três anos entre os quenianos, talvez não seja nenhuma surpresa que o suíço de 22 anos tenha começado a correr como um. No início deste ano, ele bateu os recordes da meia-maratona da Europa sub23 e da Suíça, em absolutos e sub23, registando 60:09 para terminar em segundo lugar em Barcelona. No Mundial de Meia Maratona, que decorreu em Valência, sendo oitavo classificado (1:01.03).

Trabalho final do liceu na origem

Tudo começou em Genéve, no último ano de liceu. Com 17 anos, sendo ele um corredor, escolheu como trabalho final, um ensaio subordinado ao tema “Porque é que os quenianos dominam na corrida?”.

Um ano antes, Wanders estreou-se internacionalmente com a presença no Europeu de Corta-mato, em Belgrado, num esforço enorme aguentando a dor de ter um osso partido, no pé, para terminar em 54º lugar entre os juniores.

Uma chama que começou

Foi o tipo de experiência que faz ou quebra um atleta e, para Wanders, isso provocou uma chama que nunca mais se apagou.

“Algo aconteceu na minha mente”, diz ele. “Eu fiquei realmente focado depois disso. Estava comendo bem, apenas concentrado em treinar, recuperando e dormindo muito. E decidi: quero tornar-me um atleta profissional!”

Das técnicas à corrida

Praticando a modalidade desde os oito anos, experimentado tudo, desde o comprimento ao dardo, foi na corrida que encontrou a sua paixão e quando começou a treinar mais resistência tudo se clarificou.

“Quanto mais longo, melhor me sinto”, afirmou o atleta que após terminar o liceu, por sua conta e risco, dedicou um mês a treinar na altitude do Quénia (2400 m).

Já profissional atrás do sonho

Regressado à Suíça, foi ao Europeu e melhor para 16º classificado e na pista fez 14.06,28 aos 5000 metros, o que o ajudou a conseguir um contrato profissional que o ajudou a decidir-se definitivamente por optar por viver no Quénia (Iten).

Não foi fácil convencer os pais a deixá-lo perseguir um sonho mudando-se para o Rift Valley, mas o facto de ambos serem músicos profissionais ajudou a apoiar os sonhos profissionais do filho, que trocou a universidade na cosmopolita Géneve, pela vida espartana no Quénia.

Tudo isto e muito mais no site da revista “Spikes”, na entrevista original do atleta.