Inês Henriques brilhou em Rio Maior

As quatro primeiras em Rio Maior (fotos António Manuel Fernandes)

Mais uma grande jornada de atletismo decorreu ontem em Rio Maior, com a realização do 27º Grande Prémio de Marcha Atlética, com triunfos da chinesa Qieyang Shenjie, que reeditou o triunfo de 2015, e do estreante espanhol Diego Garcia.

A medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2012 andou sempre na frente, mas foi um pouco antes dos 10 km que se começou a destacar, para terminar a prova em 1:28.04. Neste segundo triunfo em Rio Maior, a chinesa deixou longe a italiana Antonella Palmisano, medalha de bronze nos mundiais do ano passado (1:28.41), que está a fazer uma época interessante.

Rio Maior 2018

Mais interessante está a ser o princípio do ano para a portuguesa Inês Henriques, que acabou me terceiro lugar, com a sua terceira melhor marca de sempre (1.29.15), numa altura em que está claramente voltada para a sua participação nas provas de 50 km em Taicang, na China, o Campeonato do Mundo de Nações, e em Berlim, em Agosto, no Campeonato da Europa, na estreia da prova.

As reacções delas

No final da prova, a vencedora manifestava a sua “satisfação por ter vencido pela segunda vez em Rio Maior, embora esperasse vencer aqui, dada a preparação que tenho vindo a fazer, tendo como objectivo o ouro em Taicang”.

Também Inês Henriques mostrava o contentamento que sentia com a sua prestação. “Velhos são os trapos”, referiu, “este é um resultado que espelha o trabalho que tenho feito. Mas, sinceramente, não esperava um terceiro lugar, porque o lote de atletas era muito bom e eu só perdi com duas medalhadas, que eu acho que são de outro campeonato e não do meu”.

Agora percebem todos os meus sacrifícios

Além de ter alcançado um excelente resultado, a recordista mundial estava muito satisfeita por o ter conseguido fazer na terra onde nasceu e onde continua a viver e, pela primeira vez, competiu como campeã mundial.

Inês Henriques

“Tem um significado muito importante, porque é aqui que as pessoas me vêem e sei que elas têm um carinho muito grande por mim. Já tinham anteriormente ao que eu conquistei, mas agora têm um carinho ainda mais especial, porque são as pessoas que me observam a treinar todos os dias e que às vezes não percebiam o porquê de tanta dedicação. Mas, depois de eu conseguir o que consegui, já percebem o porquê de verem a Inês sempre a treinar”, resumiu.

Fora do pódio ficou Ana Cabecinha (1:29.53), mas a mostrar melhorias na sua prestação, em relação ao nacional de 20 km, onde foi segunda atrás de Inês Henriques, com ambas a fazerem melhor que os mínimos para essa prova na China, um objectivo do qual Edna Barros ficou perto (1:35.35), com um bom recorde pessoal, ela que foi a terceira melhor portuguesa.

Inês Henriques na liderança do Challenge

A líder do Challenge da IAAF, a brasileira Erica de Sena (com 16 pontos em 3 provas), desistiu e viu a portuguesa Inês Henriques chegar-se ao primeiro lugar com 16 pontos em duas provas.

Para a classificação final faltam ainda três etapas do Challenge: o Campeonato de Selecções em maio, o Grande Prémio da Corunha, em Junho, e a Volta a Taihu, em Setembro.

Uma surpresa espanhola

 

Diego Garcia

Em masculinos, a prova foi dominada pelos atletas espanhóis, com o mais jovem Diego Garcia a conseguir o seu primeiro triunfo fora de Espanha com a marca de 1:21.15, que lhe dá hipótese de ser seleccionado para os Europeus de Berlim, deixando Álvaro Martin, campeão de Espanha e que já havia vencido em Rio Maior no segundo lugar (1.22.00).

O terceiro, classificado, na boa tradição de excelentes presenças de marchadores sul-americanos, foi o mexicano José Leyver Ojeda (1.22.01), que se impôs ao equatoriano Andres Chocho (1:22.24), que aumentou a sua liderança no Challenge, com 25 pontos em três provas. O segundo no Challenge (18 pontos em duas provas), é o mexicano Ojeda.

Miguel Carvalho o melhor português

Em termos nacionais, Miguel Carvalho, do Benfica, foi o melhor português em 12º lugar, com 1.23.31, marca B de qualificação para os Europeus, enquanto os seus colegas de equipa, Miguel Rodrigues (16º, com 1:26.27) e Pedro Isidro (17º, com 1:27.07).

Miguel Carvalho

Para o vencedor da prova, o espanhol Diego Garcia, havia uma esperança interna “que pensava em vencer, mas sabia que era muito difícil, porque a concorrência era forte e havia muitos chineses e mexicanos. Felizmente, correu bem e este resultado dá-me muita confiança para o campeonato mundial de equipas, na China, em maio, e sobretudo para os europeus, em Berlim, em Agosto, que é o meu principal objectivo”, disse a MelhorMarca.pt.

Sobre a prova em si, referiu que a chave da vitória esteve depois dos 15 km, quando o sueco Perseus Karlstrom veio para a frente espevitar o ritmo. “Aproveitei a mudança de ritmo do sueco, segui-o e vi que ficámos só os dois. Depois fui eu que mudei de ritmo e consegui ficar isolado. Hoje senti-me sempre muito descontraído, fazendo o que queria no nacional de Espanha, mas no qual fiquei em quarto lugar”.
Muito satisfeito, estava Miguel Carvalho, que foi não só o melhor português em prova, como igualou o seu recorde pessoal e conseguiu os mínimos para o Campeonato da Europa.

“Estou muito feliz. A prova começou lenta e ninguém quis puxar, o que até foi bom para mim, porque ainda não sou atleta da frente. Assim, consegui fazer uma prova de trás para a frente e estou muito satisfeito porque foi a primeira vez que me senti em casa com esta forma”, disse.

Muita gente nas restantes provas

Antes das principais competições de 20 km, como é habitual, houve provas para os mais jovens, com muitos pódios, e ainda a prova de 5 km de promoção, que contou com vários atletas que também fazem as competições de 20 km e 10 km (no caso dos juniores), mas que optou apenas pelo simbolismo da presença.

Os resultados oficiais estão na página da DESMOR / Grande Prémio de Rio Maior.