Show de Sara Moreira no Ibérico de 10.000 m

Sara Moreira triunfante em Braga (fotos de Marcelino Almeida)

Portugal, no seu todo, não soube aproveitar a oportunidade da organização do Troféu Ibérico de 10.000 m, que decorreu em Braga, com boa organização, e que também integrava os campeonatos nacionais de Portugal e Espanha.

Com a chuva a prejudicar a competição, o estádio 1º de Maio registou uma grande festa… espanhola. De facto, os corredores espanhóis aproveitaram a oportunidade e lá conseguiram chegar aos seus objectivos, com mínimos para as grandes competições e alguns recordes pessoais, para além de terem arrecadado três dos quatro títulos individuais e colectivos em perspectiva.

Com tantos corredores de valia idêntica seria de esperar que os nossos compatriotas aproveitassem a oportunidade para brilhar, mas isso foi “sol de pouca dura”.

Sara Moreira a somar títulos

Sara Moreira foi a grande excepção. A sportinguista estava determinada e andou sempre na frente, solitária, mas abnegada no objectivo de conseguir os mínimos para o Europeu de Berlim, vencer pela segunda vez o Troféu Ibérico, e sagrar-se campeã nacional de 10.000 metros, com a marca de 32.10,50, deixando a segunda classificada, a espanhola Nuria Lugueros a 42 segundos (32.52,89)!

Numa prova em que mais ninguém baixou dos 33 minutos, a segunda portuguesa foi Cátia Santos, do Estreito, que terminou em sexto lugar 33.35,03, recorde pessoal, que a deixa nas 40 melhores de sempre. Susana Cunha, do Linda-a-Pastora, também correu na série principal e conseguiu um recorde pessoal, com 34.30,92 (melhorou quase cinco minutos!).

Catarina Ribeiro, Inês Monteiro e Susana Godinho, que faziam parte da selecção, não terminaram a prova.

Na série B, venceu Patrícia Oliveira (Grecas), com 35.12,56, à frente de Sónia Ferreira (Várzea), que fez mais três décimas (35.12,62).
Manuela Martins, do Maratona, 7ª nesta série, sagrou-se campeã sub23 com 36.14,44.

Ricardo Dias foi excepção nas “ausências”

Em masculinos, disputaram-se quatro séries, sendo a última a destinada à classificação colectiva e Portugal ficou fora das contas quando os seleccionados Hélder Santos e Rui Pinto desistiram, Rui Pedro Silva não esteve presente nem Bruno Albuquerque que anunciou muito antes a sua ausência.

Ricardo Dias o melhor português… campeão nacional

Assim, apenas ficou Ricardo Dias (Sporting) na equipa, que até foi o melhor português a terminar em 13º lugar na série principal, com a marca de 29.26,28, um recorde pessoal, mas numa distância em que não tinha registos desde 2009 (!), sagrando-se campeão nacional da distância (inesperadamente, segundo o atleta).

Subiram ainda ao pódio nacional, Nuno Lopes (Sporting), 16º com 29.41,12 (recorde pessoal), e Miguel Ribeiro (O. Vianense), 17º com 29.43,13.

Os mínimos para o júnior

Em sub23, o melhor português (na terceira série), foi Cristiano Pereira (CP Mangualde), com 30.23,91 (14º), enquanto na quarta série, onde estavam os juniores portugueses, o benfiquista Alexandre Figueiredo (3º com 30.49,59), conseguiu mínimos para o Campeonato Mundial da categoria.

Alexandre Figueiredo fez mínimos para o Mundial Sub20

Refira-se que esta prova já foi interessante para os actuais rankings nacionais (o ano passado, em toda a época, registaram-se 12 atletas até 31 minutos, seis abaixo de 30 minutos), e só a prova de Braga deu 18 marcas até 31 minutos para o ranking deste ano, sendo 8 abaixo de 30 minutos.

Se lhes juntarmos as marcas de provas de 10.000 metros em Lisboa e na Ribeira Brava já temos 22 atletas até os 31 minutos.
Refira-se, a fechar, que a competição masculina foi ganha pela terceira vez pelo espanhol António Abadia (triunfara em 2015 e 2016), com a marca de 28.17,24.

Resultados completos no site da FPA.