Mudar… só porque sim, não dá resultado

Na sua ânsia de tentar mudar a qualquer preço as competições, a IAAF “baralha” completamente os espíritos de quem anda aqui há muitos anos, como vai acontecer na Taça Continental. Depois, parece-me que afinal não é só em Portugal que os dirigentes das associações ignoram o que se passa nas diferentes vertentes do atletismo e nos restantes países.

A IAAF não aprendeu nada (ou não teve como saber) com as experiências falhadas do anterior modelo da taça da Europa que também diminuiu o número de ensaios e as célebres eliminações por volta.

Se pretendem um bom espectáculo, vão ter exactamente o contrário, corridas lentas, com “sprints” nas rectas antes das zonas de eliminação.

Depois, nos saltos horizontais e nos lançamentos. Um atleta que no triplo-salto, por exemplo, salte 17,50, chegue aos dois saltos finais, mas que faça apenas 17 metros, pode perder com o outro atleta que ali chegou, mas que saltou apenas 17,10 até ali, e que no último salto conseguiu 17,01!

Não é por aqui que se valorizará o espectáculo. Mas, se quiserem explorar mais esse tipo de duelos, mais valia todos fazerem três saltos ou lançamentos gerais para definir classificações e lançar depois uma competição um-contra-um (primeiro contra o oitavo, segundo contra o sétimo, terceiro contra o sexto, o quarto contra o quinto), eliminando quatro atletas. Depois o vencedor do primeiro encontro (1º vs 8º) competiria com o vencedor do quarto (4º vs 5º), e por aí fora, até ficarem apenas quatro, mais uma ronda a eliminar para ficarem dois. Assim seria mais perceptível (não quer dizer mais justo…).

Com estas mudanças todas, experiências e experimentações, as regras que conhecemos começam a diluir-se um pouco, e parece ser necessário novas regas…

Com isto tudo, apenas concordo com as estafetas mistas. Porque gosto de estafetas. E o desfecho delas é sempre emocionante para o público. E quanto mais equilibradas forem, com alternâncias de classificação melhor. 

No meeting de Roma, em imagens que não são transmitidas em sinal internacional, vimos a emoção que foi uma estafeta de 12×200 mertos com jovens de bairros da capital italiana. O público não se calava e os miúdos pareciam voar! E o final foi emocionante.