Falta de comunicação na base dos erros de inscrição para os Jogos do Mediterrâneo

Divulgámos ao fim da tarde de quinta-feira a convocatória dos representantes portugueses no atletismo para os Jogos do Mediterrâneo, e do comunicado da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) a pedir públicas desculpas pelos erros nas inscrições dos atletas.

Nesse comunicado, foram citados os nomes do recordista nacional do lançamento do peso Tsanko Arnaudov e do velocista Yazaldes Nascimento, mas ficámos a saber que houve outros atletas que também ficaram de fora, quer em todo o processo, quer a meio do mesmo, também por culpa própria.

Houve casos muitos diferentes. Por exemplo, Paulo Rosário até tem melhor marca do que Hugo Rocha, nos 1500 m, contudo já o fez no início de Junho, sendo que tudo tinha de estar concluído no final de Maio, uma vez que os processos implicam um processo burocrático com convite aos atletas, com respostas destes respondendo em formulário próprio, e depois com o envio por parte da FPA para o Comité Olímpico que por sua vez os remeto ao organizador.

Embora tenha havido outros atletas que ficaram fora da equação, como Dorothée Évora, que até fez parte da estafeta de 4×400 metros que esteve no mundial de pista coberta, os restantes parecem ter tido experiências semelhantes: num caso a FPA enviou para um email de um atleta, que já se encontrava inactivo há um ano, noutro caso, o email tinha um erro tipográfico que nunca permitiu a sua recepção.

Em todo o caso, segundo MelhorMarca.pt constatou com vários protagonistas, faltou comunicação entre FPA e atletas, e vice-versa, no sentido de auscultar se tudo tinha sido recebido e enviado, e se havia anuência para as diferentes participações.

Os lamentos de Tsanko Arnaudov

Falámos com Tsanko Arnaudov, que se manifestou “desalentado com este desfecho, porque de facto, só há última hora, já fora de prazo, me perguntaram porque é que eu não tinha respondido ao convite e eu sem ter recebido nada. Não tive mais nenhum contacto, nem por telefone”. Ainda assim, o atleta, que manifestou “ser esta uma competição em que eu pretendia estar porque seria um bom teste para o Europeu”, segue em frente, mantém os seus objectivos, lamenta “ter de pagar por erros de outros”, e só gostaria “de saber quem foi responsável por isto. Só para meu conhecimento!”.

Outro atleta “apanhado” por esta situação foi Carlos Nascimento, que também fica de fora, numa época em que está a subir de rendimento e tinha aqui uma grande oportunidade para integrar uma estafeta de 4×100 metros com aspirações a chegar ao Europeu.
Segundo o seu técnico, José Silva, “a falta de comunicação depois dos primeiros contactos foi crucial. Isto é uma lição para a vida, principalmente para o atleta, que não voltará a facilitar, e questionará sempre tudo em qualquer processo, lamentando apenas o facto de perdermos uma oportunidade, das poucas que temos, para integrar uma estafeta que pode ser histórica”.

Da parte dos clubes, MelhorMarca.pt sabe que o Sporting já questionou oficialmente a FPA e não pretende fazer disso um caso público, exigindo mais responsabilidade nos procedimentos, querendo acreditar que não houve outras razões a não ser erros casuais, e também o Benfica apresentou as suas preocupações nestas situações.