O “contra-ataque” de Caster Semenya às decisões da IAAF sobre hiperandroginismo

A estrela da África do Sul já deu a conhecer a sua oposição aos regulamentos controversos saídos da IAAF, insistindo que os mesmos “não são justos”.

A campeã olímpica e mundial dos 800m da África do Sul, Caster Semenya, desafia as novas regras da IAAF sobre classificação feminina no Tribunal de Arbitragem do Desporto (CAS), disseram os seus advogados, segundo o artigo hoje publicado no “Athletics Weekly”.

Historiando, em abril, foi anunciado que atletas do sexo feminino com altos níveis de testosterona naturalmente teriam de correr contra homens ou mudar de disciplina, a menos que tomem medicação sob os novos regulamentos que devem começar em novembro.

As regras para atletas que têm “diferenças de desenvolvimento sexual” aplicam-se aos 400m, 400m com barreiras, 800m, 1500m, corridas de uma milha e eventos combinados nas mesmas distâncias.

Atletas que desejem competir nas provas femininas, serão obrigadas a tomar medicação por seis meses antes e depois manter um nível mais baixo de testosterona. Se não quiserem tomar a medicação, poderão competir em competições internacionais em outras disciplinas que não as de pista, de 400m até a milha, ou competir em competições masculinas ou mistas de géneros ou eventos domésticos (não internacionais).

“A Caster Semenya, como todos os atletas, tem o direito de competir da maneira que ela nasceu sem ser obrigada a alterar o seu corpo por quaisquer meios médicos”, disse o seu advogado Norton Rose Fulbright, num comunicado.

Na declaração, Semenya foi citada dizendo: “Eu só quero correr naturalmente, da forma como nasci. Não é justo que me digam que devo mudar. Não é justo que as pessoas questionem quem eu sou. Eu sou Mokgadi Caster Semenya. Eu sou uma mulher e sou rápida”.

Ao anunciar as mudanças nas regras, a IAAF apoiou-se nas suas pesquisas, que entendem que há uma vantagem de desempenho para as atletas femininas com maior testosterona nas distâncias de pista referidas.