Benfica campeão masculino no nacional de clubes pelo oitavo ano consecutivo

A festa do título (foto SL Benfica)

Chegando ao final da primeira jornada, com cinco triunfos e uma vantagem de cinco pontos sobre o Sporting, o Benfica ainda conseguiu fazer mais no segundo dia de competição da final da I divisão do Campeonato nacional de Clubes, obtendo sete vitórias nas 11 provas do programa, com os rivais a vencerem apenas três, e ambos a deixarem fugir um triunfo, nos 800 metros, para o Jardim da Serra. Foi a única prova, também, em que nenhum dos atletas dos dois clubes ficou nas duas primeiras posições. O Benfica foi terceiro e o Sporting quarto.

Tudo isso acentuou as contas finais, com os encarnados a vencerem com 10 pontos de vantagem sobre os rivais, enquanto o Sporting de Braga subiu ao terceiro lugar do pódio, substituindo o Vidigalense, que desde 2011 era terceiro classificado.

Tal como nos Campeonatos de Portugal, o duelo esperado entre Pedro Pichardo e Nelson Évora não aconteceu. O sportinguista, que esteve no meeting do Mónaco na passada sexta-feira, onde foi oitavo classificado, ressentiu-se da lesão que o impediu de competir nos Campeonatos de Portugal há duas semanas, em Leiria, ficou de fora por precaução, sendo substituido por Carlos Veiga, que ficou perto do seu recorde pessoal, mas não tem ainda o nível competitivo de Pichardo, que saltou 17,21 metros e resolveu a questão.

Prova muito interessante surgiu nos 200 metros, com Carlos Nascimento (Sporting) a vencer com um centésimo de vantagem sobre Ricardo dos Santos (Benfica), numa das três provas ganhas pelo Sporting (as outras foram os 400 m barreiras, pelo norte-americano naturalizado caboverdeano Jordin Andrade, e a estafeta de 4×400 metros.

O Benfica, para além do triplo, conheceu triunfos nas provas em que era claramente favorito, como o martelo (António Vital e Silva, acima dos 70 metros), os 110 m barreiras (o brasileiro João Vitor Oliveira deixou muito para trás Rasul Dabó), nos 3000 m obstáculos (André Pereira a fazer valer a sua experiência) e na altura (Paulo Conceição… como sempre).

As provas que tinham divisão de favoritismo e que penderam para o Benfica foram os 3000 metros (Rui Pinto derrotou claramente Nuno Lopes), e o disco (mesmo recuperado de lesão, Francisco Belo derrotou Edujose Lima, o melhor português do ano).
Braga, 22 jul (Lusa) – Os responsáveis técnicos do Benfica e Sporting mostraram-se hoje “muito satisfeitos” pelos títulos nacionais conquistados em masculinos e femininos, respetivamente, na final do campeonato nacional de atletismo de clubes.

Orgulho no trabalho feito

Este triunfo do Benfica, deixou “orgulhosa” a coordenadora da secção, Ana Oliveira. “Estivemos perante um dos fins de semana mais entusiasmantes do atletismo português, em que mostrámos que estávamos bem preparados para conseguir um título merecido”, disse a técnica à agência Lusa.

Ana Oliveira voltou a referir o facto de a equipa do Benfica participar neste campeonato sob protesto, por contestar alegadas irregularidades no processo de filiação de atletas do rival Sporting, na Federação Portuguesa de Atletismo. “Quero também dedicar o título que conquistámos a todos os atletas e outros clubes que cumprem os regulamentos e jogam pela verdade desportiva”, sublinhou.

Já o coordenador do Sporting, Carlos Silva não fez um balanço tão positivo da equipa. “Ficou aquém das expectativas. Pensamos que este resultado não representa o valor real da equipa. Apesar de estar a crescer e trabalhar bem, vamos ter de avaliar o seu desempenho”, partilhou à agência Lusa.

O responsável explicou ainda que os motivos da ausência de Nélson Évora, no triplo salto desta competição, ficaram a dever-se a problemas físicos. “Tinha uma situação identificada de lesão, e depois de fazer uma experiência competitiva, foi de comum acordo não agravar a situação, e partir, rapidamente, para recuperação”, explicou, sem detalhar.

Carlos Silva revelou, ainda, o desagrado com a decisão da organização em desclassificar um dos seus atletas, na prova de estafetas 4×400 metros, por uma alegada irregularidade, após queixa do Benfica, algo que seria, depois, revertido, pela defesa apresentada pelo Sporting.
“Apresentaram um vídeo amador, que foi rapidamente assumido, com a desclassificação. É uma estratégia do Benfica que lamento”, disse o responsável do Sporting, antes de saber a decisão de reversão, ditada pelos juízes.

Principais resultados:

200 m (v: +0.7 m/s): 1.º, Carlos Nascimento (SCP), 21.05; 2.º, Ricardo dos Santos (SLB), 21.06; 3.º, Eduardo Sá (SCB), 21.50.
800 m: 1.º, Wilson Conniott (AJS), 1:53.86; 2.º, Nuno Pereira (GDE), 1:56.90; 3.º, João Fonseca (SLB), 1:56.97.
3 000 m: 1.º, Rui Pinto (SLB), 8:13.81; 2.º, Nuno Lopes (SCP), 8:20.52; 3.º, Hugo Almeida (SCB), 8:28.56.
110 m barreiras (v: +1.3 m/s): 1.º, João Vitor Oliveira (SLB), 13.91; 2.º, Rasul Dabó (SCP), 14.28; 3.º, Paulo Neto (AJS), 14.35.
400 m barreiras: 1.º, Jordin Andrade (SCP), 50.95; 2.º, Diogo Mestre (SLB), 51.10; 3.º, Ricardo Lima (SCB), 53.62.
3000 m obstáculos: 1.º, André Pereira (SLB), 9:02.11; 2.º, Fernando Serrão (SCP), 9:02.80; 3.º, João Bernardo (JV), 9:14.51.
Altura: 1.º, Paulo Conceição (SLB), 2.15; 2.º, Nelson Pinto (SCP), 2.07; 3.º, Carlos Gomes (SCB), 2.01.
Disco: 1.º, Francisco Belo (SLB), 54,20; 2.º, Edujose Lima (SCP), 52,91; 3.º, Vítor Rodrigues (CAS), 46,51.
Martelo: 1.º, António Vital Silva (SLB), 70,95; 2.º, Miguel Carreira (SCP), 65,57; 3.º, Rúben Antunes (JV), 61,77.
Triplo: 1.º, Pedro Pablo Pichardo (SLB), 17.21 (-1.1); 2.º, Carlos Veiga (SCP), 16.31 (+0.4); 3.º, João Alexandre (GDE), 14.86 (+0.7).
4X400 m: 1.º, Sporting C P, 3:10.43; 2.º, S L Benfica, 3:14.75; 3.º, SC Braga, 3:18.08.
Classificação colectiva final: 1.º, SL Benfica, 155 pontos; 2.º, Sporting CP, 145; 3.º, SC Braga, 104; 4.º, J. Vidigalense, 96; 5.º, GD Estreito, 73; 6.º, CA Seia, 68; 7.º, Jardim da Serra, 64; 8.º, ACR Srª do Desterro, 49.

Resultados completos na página da FPA.