Campeão olímpico de 1988 admite doping

Christian Schenk, campeão olímpico de decatlo em 1988

O “doping”. Sempre o “doping” a ensombrar feitos do passado. Já se lera, ouvira e observara. Após a queda do “Muro de Berlim”, vários historiadores descobriram listas e documentos da utilização de “doping” por muitos desportistas. Entre esses nomes estava Christian Schenk, alemã de Leste, que pela RDA venceu o decatlo nos Jogos Olímpicos de 1988.

Estes foram os Jogos dos casos. Os visíveis, como a suspensão do campeão olímpico dos 100 metros, o canadiano Bem Jonhson, ou os suspeitos, como os triunfos de Florence Griffith-Joyner, nos 100 e 200 metros (com recorde do Mundo) e parte da estafeta de 4×100 m, que deixou o atletismo pouco depois, e que viria a falecer 10 anos depois, e que, segundo a autópsia, por asfixia acidental na almofada, durante um ataque de epilepsia, causada por uma má formação congénita cerebral. A ex-atleta sofria destas convulsões, segundo a família, desde 1990.

Ora, regressando à actualidade, Shenk admitiu o que nunca tinha admitido antes. “A princípio neguei totalmente ter tomado drogas. Mais tarde, adoptei a versão “soft”, de que conscientemente nunca me dopei. Mas era mentira. Para mim foi atingir outro nível, quase como um tributo. Tomar os comprimidos significava que estava na equipa e que os resultados de topo aconteceriam”, afirmou, segundo informações da imprensa alemã.
Schenk venceu essa prova derrotando o compatriota Torsten Voss, por 89 pontos. O canadiano Dave Steen foi medalha de bronze e o campeão olímpico de 1980 e 1984, o britânico Daley Thompson, foi quarto.

Em 1988, Steen dissera: “Se um medalhado fez batota, então outro merece essa medalha”, mas depois nunca se quis colocar nessa guerra de procurar e reabrir resultados de 10 e 20 anos ou mais atrás. “Se ninguém confessar, dificilmente se poderá fazer qualquer coisa”, afirmou a um jornal canadiano.

Após esta notícia, Trey Hardee, vice-campeão olímpico em 2012 e campeão mundial de decatlo em 2009 e 2011, escreveu no Twitter: “Conheci-o uma vez … não posso imaginar o tormento de viver com uma mentira durante a maior parte da sua vida adulta. Eu também não posso imaginar a agonia de como o Sr. Voss se sente neste dia. Felizmente, eu sei que nunca vou sentir nenhuma dessas emoções … felizmente, Ashton Eaton foi e é um competidor justo!”.