Dulce Félix: regresso da “mamã” com sonhos

Dulce Félix (arquivo, foto SL Benfica)

Um dos nomes incontornáveis da S. Silvestre de Lisboa é Dulce Félix. A atleta do Benfica está presente desde a primeira edição e, não fora o facto de ter sido mãe, da pequena Matilde, no final do ano passado (19 de dezembro), poderia ser anunciada como uma totalista e sempre ocupante do pódio, de uma prova que venceu cinco vezes.

No final da conferência de imprensa de apresentação da prova, falámos com a atleta que volta agora às competições depois de uma grande corrida na Maratona de Valência que a deixou a sete segundo do seu recorde pessoal na distância, mas que a deixa também já com mínimos – se optar por essa distância – para os Mundiais de Doha 2019.

«De facto, fiz um grande resultado em Valência, muito perto do meu recorde pessoal, mas acima de tudo foi bom ter aparecido de novo muito forte, na primeira oportunidade mais competitiva após ter sido mãe. Este foi o resultado de um período de intenso trabalho, para recuperação dos meus índices normais. Engordei muito durante a gravidez e tive que fazer um trabalho diferente», afirmou a atleta, enaltecendo ainda o trabalho da sua equipa.

Elogios à equipa de apoio

«Falamos pouco neles, mas os resultados devem-se a todos os que na retaguarda nos apoiam, como o Doutor Amândio Santos, nosso fisiologista, que todos os meses nos fazia testes em Mira, avaliava a minha forma e a minha reação ao treino, dando muitos conselhos práticos sobre o treino que o Ricardo Ribas me planeava. Esse trabalho foi bem feito, e posso dar como ponto alto a minha participação na meia maratona, onde o me foi dito que poderia correr abaixo da 1h12m o que me transmitiu enorme confiança. Essa confiança transportei-a para Valência, com os melhores resultados possíveis», disse a atleta.

Após a prova em Valência o treino incidiu mais sobre a recuperação. «Fiz um descanso ativo, como acho que fazem todos os atletas, procurando não ter problemas. Houve uns percalços, é certo, mas todos com origem muscular, o que não nos deixou preocupados. Por isso posso encarar a São Silvestre de Lisboa como uma das favoritas. É uma prova de que gosto bastante, que me entusiasma, com este clima de festa”, adiantou.

Uma época de 2019 importante

Após esta época mais festiva, a nova época está ao “virar da esquina”.

«Tentarei entrar em janeiro com o pé direito, pronta para fazer uma grande época. Tenho estado a fazer uma boa recuperação e agora só quero estar o melhor possível para os objetivos que o meu clube, o Benfica, estabelecer como importantes. Não sei se será o nacional de estrada, se o nacional de crosse. O importante é corresponder ao mais alto nível aos objetivos do clube. Essa é a minha obrigação e dever, principalmente porque estive “fora” dois anos, sem que o Benfica deixasse de me apoiar e ajudar», afirmou ainda a atleta, que agora tem as preocupações e responsabilidades de mãe, para além das responsabilidades de atleta profissional.

«É verdade que o meu dia-a-dia é muito mais ocupado, mas é também muito gratificante. A parte de treino não tem sido muito afetada. A Matilde tem-me proporcionado isso. Desde que ela nasceu que não sei o que é estar uma noite acordada. Esse descanso é importante na minha recuperação. Ela é irrequieta, mas muito saudável e descansa bem», disse Dulce.

Momento do batizado da Matilde (foto partilhada por Dulce Félix)

Ainda sonha a mamã Dulce

Nos momentos em que tem de competir, viajar ou responder a compromissos como os da apresentação da São Silvestre, «os familiares e amigos têm-se mostrado imprescindíveis. Esse suporte ajuda-me bastante, pois ficam com ela enquanto eu e o Ricardo Ribas temos de corresponder a estes momentos. Em termos de treino, temos conseguido gerir os horários em função das necessidades da Matilde, mas sem esquecer os meus desejos», afirma a atleta.

Contudo, embora sem revelar o que ainda deseja, Dulce conclui: «ainda penso em mim, acredito que tenho coisas bonitas para fazer, na continuação da minha carreira. Tenho um trabalho de que me orgulho, já mostrei com a prova da maratona que regressei ao meu nível, e agora posso dizer que quero que ela, quando tiver consciência disso, sinta orgulho no que fiz, quer antes, quer após ser mãe».