Qualificação para Tóquio’2020 depende de marcas e ranking

Sebastian Coe, presidente da IAAF

O Conselho da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF, na sigla internacional), reunido nestes dias em Doha, Qatar, já deu conta de várias das decisões tomadas para o futuro da modalidade, entre as quais a qualificação para Tóquio’2020 

1 – Mantem-se a suspensão da Rússia a participar nas grandes competições (já vai em 3 anos).

2 – Foi aprovado o processo de qualificação (em duas vias, mínimos e rankings), para os Jogos Olímpicos de Tóquio’2020, sem a prova de 50 km marcha femininos.

De uma forma geral, a IAAF colocou uma tabela de mínimos muito difíceis, estimando que 50 por cento dos atletas qualificados pra Tóquio’2020 consigam estas marcas, tudo para manter a sua ideia de ter qualificações de atletas através dos rankings mundiais (os restantes 50 por cento). Para atingirem estes mínimos, foram estabelecidas datas de obtenção das marcas. Assim, para as provas de maratona e 50 km marcha, o período vai de 1 de janeiro de 2019 a 31 de maio de 2020; para os 10.000 m, 20 km marcha e provas combinadas, vai de 1 de janeiro a 29 de junho de 2020; todas as outras disciplinas têm a “janela” de 1 de maio de 2019 a 29 de junho de 2020.

Atendendo à tabela divulgada, nenhum dos atletas portugueses ainda tem marcas de qualificação para Tóquio, embora já este ano, mas ainda inválidas para a qualificação olímpica, tenham feito melhor os saltadores de triplo, Pedro Pichardo, com 17,32 metros no triplo – é pedido 17,14 m (com Nelson Évora a 3 centímetros dessa marca), Patrícia Mamona, com 14,44m e Susana Costa, com 14,43m (é pedido 14,32m).

Certamente que alguns atingirão as marcas, mas aqui também contará a sua classificação nos “rankings” mundiais, e há 11 atletas portugueses com boas possibilidades de chegarem a Tóquio’2020. Na primeira linha os saltadores Pedro Pichardo (2º no ranking mundial) e Nelson Évora (4º), no triplo-salto; depois as marchadoras Ana Cabecinha (7ª) e Inês Henriques (9ª9, nos 20km; outro marchador, João Vieira (18º), nos 50 km marcha; seguem-se as saltadoras, Patrícia Mamona (20ª) e Susana Costa (21ª), no triplo-salto; e os lançadores, Francisco Belo (23º) e Tsanko Arnaudov (27º), no lançamento do peso, e Irina Rodrigues (21ª) e Liliana Cá (23ª), no lançamento do disco.

3 – Foram divulgadas alterações à Liga Diamante de 2020, que terá 12 meetings e apenas uma final, diminuindo também o número de provas a pontuar, de 32 para 24 (12 por sexo), com tentativa todos os meetings demorarem até um máximo 90 minutos.

4 – Foram divulgados os horários de três competições mundiais, os de pista coberta, em Nanjing, China, os de meia maratona em Gdynia, Polónia, e do Campeonato de Seleções em marcha atlética, em Minsk, Bielorússia.

A meia maratona, a 29 de março, tem o campeonato feminino às 12 horas, e o masculino às 12.45 horas, sendo logo de seguida uma meia maratona para todos. Em Minsk, no dia 2 de maio realizam-se as provas de juniores, 10 km, e as provas de seniores, 20 km, enquanto o dia 3 de maio é reservado aos 50 km, também em ambos os sexos.

Finalmente, a pista coberta. Deixámos para o final porque poderá ser ainda mais controversa. De facto, os horários aprovados têm a ausência de qualificações para todos os saltos e lançamentos, sendo as finais do triplo-salto realizadas durante a manhã (homens a 13 de março, mulheres a 14 de março), tal como salto em comprimento feminino, peso masculino e 3000 metros masculinos (todos no dia 15 de março).

5 – Finalmente, o Conselho aceitou a recomendação da Comissão de Estudo das provas de marcha e tudo aponta para que vá deixar de se realizarem as provas nas distâncias que conhecemos, ficando de decidir duas das seguintes propostas: 10, 20, 30 e 35 km. Isto, dois anos depois de aceitarem os recordes mundiais femininos nos 50 km, se terem realizado mundiais e europeus e muitos dos países terem adotado campeonatos nacionais na distância.