Sporting dominou os Campeonatos de Portugal de corta-mato

Sporting no pódio (foto Marcelino Almeida)

O Sporting dominou os Campeonatos de Portugal de corta-mato, distância longa, obtendo os dois principais títulos coletivos e triunfando ainda em seniores masculinos com Rui Teixeira. Dulce Félix, do Benfica impediu o pleno leonino. Individualmente, registou onze subidas ao pódio (em 24 possíveis).

O Sporting já se apresentava como principal favorito aos títulos coletivos de seniores (o Benfica não apresentava equipas completas) e confirmou totalmente, ao conseguir colocar todos os seus elementos pontuáveis (quatro) até ao quinto lugar em masculinos e sexto em femininos. Em masculinos, o Maia AC foi segundo, deixando bem para trás o Sporting de Braga, e em femininos o Desportivo de Águeda voltou ao segundo lugar à custa, de novo, do Sporting de Braga.

Rui Teixeira e a repetição do sonho

Ainda houve alguma indefinição na prova masculina, em que o benfiquista Rui Pinto, campeão nacional há dois anos, e que este ano impressionara no nacional de distância curta, ainda andou na frente, mas acabou por desistir antes da última volta, cedendo aos “ataques” de Licínio Pimentel (40 anos) e Rui Teixeira (36 anos), ambos do Sporting.

Na última volta, as posições ficaram bem vincadas, com Rui Teixeira, campeão em 2018, a conseguir ser mais forte no “sprint” obtendo o seu segundo triunfo consecutivo, na sua sexta subida ao pódio na distância longa, tendo ainda mais quatro subidas ao pódio na distância curta).

Rui Teixeira (foto Marcelino Almeida)

Para o campeão Rui Teixeira, esta vitória foi como «realizar um sonho duas vezes! E é assim que esta vida de sacrifícios, de muita luta e muito trabalho faz sentido. Tem mesmo um sabor especial, até porque dentro de uma semana já faço 37 anos, não terei muitas oportunidades de discutir o título. Mas tê-lo sido em 2018 deu confiança para trabalhar mais».

Afirmando que trabalhou bastante para esta prova, em condições de sobe-e-desce, para chegar ao nacional nas melhores condições, o sportinguista adiantou ainda ter estudado bem os adversários, para poder jogar a sua cartada no momento certo. Alimentando ainda o sonho de poder conquistar o “tri”, embora admita que não terá muitas oportunidades, mas ninguém sabe o que se seguirá no próximo ano e ainda esta época. «A minha paixão é o crosse, não sei quais são os planos da Federação (FPA), mas este é ano de mundial de crosse e estou disponível para representar Portugal», referiu o atleta.

Sete segundos depois chegou Licínio Pimentel, atleta que desde 2006 se classifica sempre no “top9”, repetindo o título de vice-campeão obtido em 2015 e 2017. O atleta estava contente no final da prova: «aos 40 anos ainda faço um dos melhores lugares da minha carreira, claro que em cada ano que passa tudo seja mais complicado, mas eu tentei a minha sorte, para que a prova não fosse em bases lentas, para evitar surpresas na parte final», afirmou.

Fase da prova masculina (foto Marcelino Almeida)

No terceiro lugar chegou o mais jovem, Miguel Marques, a 21 segundos do vencedor, para quem «o objetivo é sempre vencer, mas subir ao pódio é sempre muito bom, e foi para isso que trabalhei estes meses, o que me deixou muito feliz».

Nuno Costa, do Maia, impediu que o Sporting conseguisse a mais baixa pontuação possível, obtendo o quarto lugar, a 34 segundos do campeão, ficando à frente de António Silva (que ficou a 41 segundos).

Dulce Félix chega ao sétimo título

Em femininos, o Sporting também se sagrou campeão de clubes, mas a sua tática de “encher” de novo o pódio foi contrariada por uma motivada Dulce Félix, que depois de ter estado ausente em 2017 e 2018, por ter sido mãe, e de ter sido segunda em 2016, obteve o seu sétimo título de campeã nacional, ficando a um título apenas da mais campeã, Rosa Mota.

Dulce Félix (foto Marcelino Almeida)

Nesta corrida, a benfiquista foi paciente, jogou a sua cartada na hora certa, isolou-se e cortou a meta cinco segundos antes de Catarina Ribeiro, do Sporting, a campeã em 2018.

«Eu vim confiante para esta prova. Treinei bem, com trabalho de casa feito, procurando sítios duros como este, mas não imaginava que fosse tanto. Assim, a nossa tática era de paciência, ir um bocadinho atrás, reagindo sempre que elas atacassem, o que aconteceu. Não puxei logo porque tinha algum receio de na parte final não poder reagir, mas foi bom», afirmou a atleta campeã de Portugal.

Para Dulce Félix, embora o seu clube (Benfica) não tivesse esta prova no planeamento obrigatório, participar nos Campeonatos de Portugal era um dos seus objetivos: «eu sabia que estava bem e sabia que poderia lutar pelo título individual. Uma vez que já tinha seis vezes consecutivos, quis tentar o sétimo. Agora, sabendo que Rosa Mota tem seis, sinto que ainda poderei tentar ir atrás desse objetivo», disse a atleta no final da sua prova, lembrando que tem 36 anos (em jeito de “recado” para quem afirmou que já estava acabada), mas continua com vontade.

Quanto a Catarina Ribeiro, estava em terceiro lugar à entrada na última volta, mas foi recuperando e na descida final passou mesmo para o segundo lugar, à “custa” de Salomé Rocha, que regressou após longa paragem, ficando a 11 segundos da campeã.

«Ainda acreditei», disse a sportinguista, desenvolvendo: «foi mesmo até à última! Esta descida até me custou parar, pois vinha tão embalada, com a vontade de chegar ao primeiro lugar, pois parecia que a Dulce estava a quebrar, mas ela estava muito longe».

A sua colega de equipa, Salomé Rocha, campeã em 2016, ainda tentou a sua sorte num percurso muito do seu agrado. «Sinto-me sempre bem em percursos destes. Tentei acompanhar a Dulce o máximo de tempo possível, quebrei um pouco e a Catarina passou-me, mas saio daqui satisfeita, pois foi um bom regresso depois de uma paragem prolongada».

Fase da prova feminina (foto Marcelino Almeida)

Sara Moreira, também do Sporting, chegou em quarto lugar e adiou uma vez mais a possibilidade de se sagrar campeã, ela que já foi vice-campeã em cinco ocasiões (e também o fora nos escalões mais jovens!).

Já outra benfiquista, Neide Dias, surpreendeu com o seu quinto lugar, mas a mais de um minuto (1.03) da campeã. Fechou a equipa do Sporting a pendular Ana Ferreira, no sexto lugar.

Lugar aos jovens Mariana Machado e Etson Barros

Para além dos títulos coletivos em seniores, o Sporting triunfou em juniores masculinos (e poderá encontrar o Benfica na Taça dos Clubes Campeões Europeus) e juvenis femininos, enquanto o Maia triunfou em juniores femininos e o Benfica venceu em juvenis masculinos.

Nos escalões mais jovens, destaque para os triunfos individuais dos favoritos juniores, a bracarense Mariana Machado, a campeã no ano passado (e que este ano se sagrou campeã absoluta de crosse curto) e o benfiquista Etson Barros, que conquistou o seu primeiro triunfo da categoria, depois de dois títulos consecutivos em juvenis.

Precisamente em juvenis, o Várzea voltou a ter um campeão masculino, com Ruben Pires, e o título feminino foi para a minhota Beatriz Rios, dos Amigos da Montanha.

Principais resultados:

Seniores femininos (8km): 1. Dulce Félix (Benfica), 29.02 minutos; 2. Catarina Ribeiro (Sporting), 29.07; 3. Salomé Rocha (Sporting), 29.14; 4. Sara Moreira (Sporting), 29.26; 5. Neide Dias (Benfica), 30.06; 6. Ana Mafalda Ferreira (Sporting), 30.08; 7. Emília Pisoeiro (RD Águeda), 30.24; 8. Daniela Cunha (Sporting), 30.41;…; 15. Rita Ribeiro (Sporting), 32.03 (campeã sub23); 18. Joana Ferreira (Eirense), 32.12 (2ª sub23); 20. Manuela Martins (Maratona), 32.21 (3ª sub23). Por equipas: 1. Sporting, 15 pontos; 2. Desportivo de Águeda, 43; 3. Sporting de Braga, 82.
Juniores fem. (6 km): 1. Mariana Machado (Sporting de Braga), 22.26; 2. Lia Lemos (Maia AC), 23.27; 3. Bárbara Neiva (Sporting), 24.13. Por equipas: 1. Maia AC, 22; 2. Sporting, 32.
Juvenis fem. (4 km): 1. Beatriz Rios (Amigos da Montanha), 16.09; 2. Ana Silva (Maia AC), 16.443; 3. Tatiana Moura (Nucleoeiras), 16.47. Por equipas: 1. Sporting, 38; 2. Benfica, 54; 3. Maia AC, 56.

Seniores masculinos (10 km): 1. Rui Teixeira (Sporting), 32.25; 2. Licínio Pimentel (Sporting), 32.33; 3. Miguel Marques (Sporting), 32.47; 4. Nuno Costa (Maia AC), 33.00; 5. António Silva (Sporting), 33.07; 6. Hermano Ferreira (Casaense), 33.13; 7. Luís Saraiva (Sporting Braga), 33.16; 8. Daniel Gregório (CA Seia), 33.19;…; 18. Jorge Moreira (Sporting), 33.59 (campeão sub23); 20. Cristiano Borges (Sporting), 34.05 (2º sub23); 35. Filipe Fialho (Benfica), 35.28 (3º sub23). Por equipas: 1. Sporting, 11 pontos; 2. Maia AC, 54; 3. Sporting de Braga, 79.
Juniores masc. (8 km): 1. Etson Barros (Benfica), 27.51; 2. Miguel Moreira (Sporting), 28.04; 3. Martim Moreira (Sporting), 28.07. Por equipas: 1. Sporting, 18; 2. Benfica, 28; 3. Maia AC, 28.
Juvenis masc. (5 km): 1. Ruben Pires (UD Várzea), 17.15; 2. Fábio Simões (RD Águeda), 17.24; 3. Rui Oliveira (ES Rosa Oliveira), 17.33. Por equipas: 1. Benfica, 52 pontos; 2. UD Várzea, 82; 3. Nucleoeiras, 137.

 

Texto e reportagem: António Manuel Fernandes

Fotos: Marcelino Almeida