Rui Teixeira em bom plano nos Mundiais de corta-mato

Rui Teixeira (foto do facebook do atleta)

Único português presente na prova, Rui Teixeira, campeão nacional de corta-mato nos dois últimos anos, adaptou-se bem ao difícil percurso dos Mundiais de corta-mato, que se realizaram em Aahrus, na Dinamarca, terminando a prova no 42º lugar, embora longe do vencedor, o ugandês Joshua Cheptegei, mas ainda assim cotando-se como o sétimo melhor europeu.
O atleta do Sporting, que admite ter no corta-mato uma motivação especial, passou no final da primeira vol

ta em 90.º lugar, mas a partir daí foi subindo na classificação (66º, 58º e 47º), terminando os 10 quilómetros em 42.º lugar, com 33.58 minutos, a 2.18 minutos do vencedor, um resultado melhor que na sua estreia, em 2007, quando terminou em 123.º lugar.

Numa prova com 28 atletas nascidos no leste de África nos 29 primeiros classificados, em termos europeus, Rui Teixeira foi sétimo, atrás de dois atletas suecos (um deles nascido na Eritreia, Fsiha, 17.º classificado, e Napoleon Solomon, 36.º), dois espanhois (Ouassim Oumaiz (que completou hoje 20 anos e foi… 20.º classificado, e de Fernando Carro, 41º), do turco Aras Kaya (26º) e do britânico Dever (37º).

O Uganda fez história ao obter a primeira medalha coletiva

Mas no topo da corrida houve grande surpresa, com Joshua Cheptegei, do Uganda, a vencer no ‘sprint’ final, desforrando-se da incapacidade de vencer esta competição há dois anos, na sua cidade de Kampala, perdendo mesmo o pódio depois de ter andado muito tempo isolado.

Cheptegei impôs-se aos dois principais favoritos, o compatriota Jakob Kiplimo, que ainda não tinha perdido uma prova de corta-mato desde o verão de 2018 e que foi segundo, e o queniano Geoffrey Kamworor, que nos últimos seis anos venceu três títulos mundiais de meia maratona e dois mundiais de corta-mato, entre os quais o da “humilhação” de Cheptegei em 2017.

O Uganda, para além de ter obtido a primeira medalha individual absoluta em seniores, também fez história ao obter a primeira medalha coletiva da sua história (e com isso impediu que a Etiópia tivesse vencido coletivamente todas as corridas), com quatro atletas entre os primeiros 10.

A Espanha foi a primeira equipa europeia no sétimo lugar, atrás do Bahrain, que tem uma equipa de atletas nascidos em África, que colocou cinco nações nos cinco primeiros lugares!

Helen Obiri com o pleno de mundiais

A prova feminina também teve um trio até aos metros finais. Helen Obiri, sargento da Força Aérea do Quénia, ‘voou’ ao longo dos cerca de 10 quilómetros da prova, destacando-se apenas nos metros finais das duas atletas etíopes que fizeram a maior parte da corrida atrás de si. No final, apenas dois segundos a separaram de Dera Dida, da Etiópia.

Com este triunfo, a queniana tornou-se a primeira atleta feminina a conquistar os três títulos mundiais num só ciclo: campeã mundial ao ar livre, em pista coberta e corta-mato. Apenas o etíope Kenenisa Bekele, nos homens, conseguiu esse feito na história da modalidade.

Tendo feito uma excelente época de corta-mato, no final da sua prova, Obiri, de 29 anos, afirmou que o segredo do triunfo esteve “na força mental”: “Esta era a minha última oportunidade e não queira desperdiçá-la”, afirmou.

Dida foi segunda e a compatriota Letsenbet Gidey, campeã mundial sub-20 nas duas últimas edições, foi terceira classificada, ambas liderando a Etiópia para um título coletivo, à frente do Quénia e do Uganda.

A primeira europeia foi a dinamarquesa Anna Emillie Moller, para grande satisfação do público. A campeã europeia sub-23 de corta-mato foi 15ª colocada, a 1.37 minutos da vencedora.

Etiópia em grande e o primeiro falhanço do Quénia em Sub20

Nos restantes escalões, havia alguma curiosidade em perceber o que valeria o prodígio europeu Jakob Ingebrigtsen, mas depois de ter estado no grupo da frente, foi-se “afundando” na classificação, com uma queniana a triunfar em sub20 femininos e um etíope a vencer os sub20 masculinos.

Na estafeta mista, triunfo da Etiópia, que foi claramente a nação “rainha” destes mundiais, com quatro títulos coletivos e subidas aos pódios individuais e coletivos em todos os escalões, excepto em seniores masculinos! A segunda nação foi o Quénia, que não teve ninguém no pódio individual masculino sub20 desde 1985, nos Mundiais no Complexo do Jamor, ano em que obteve a sua primeira medalha (e logo de ouro) no escalão!

Campeonatos Mundiais de Corta-mato pódios

Masculinos
Seniores
1. Joshua Cheptegei (Uga), 31.40
2. Jakob Kiplimo (Uga), 31.44
3. Geoffrey Kmaworor (Que), 31.55

42. Rui Teixeira (Por), 33.58
Por equipas:
1. Uganda, 20 pontos
2. Quénia, 43
3. Etiópia, 46
Sub20:
1. Milkessa Mengesha (Eti), 23.52
2. Tadese Worku (Eti), 23.54
3. Oscar Chelimo (Uga), 23.55
Por equipas:
1. Etiópia, 18 pontos
2. Uganda, 32
3. Quénia, 34

Femininos
Seniores:
1. Helen Obiri (Que), 36.14
2. Dera Dida (Eti), 36.16
3. Letsenbet Gidey (Eti), 36.24
Por equipas:
1. Etiópia, 21 pontos
2. Quénia, 25 pontos
3. Uganda, 36
Sub20:
1. Beatrice Chebet (Que), 20.50
2. Alemitu Tariku (Eti), 20.50
3. Tsigie Gebreselama (Eti), 20.50
Por equipas:
1. Etiópia, 17 pontos
2. Quénia, 26
3. Japão, 72

Estafeta Mista:
1. Etiópia, 25.49
2. Marrocos, 26.22
3. Quénia, 26.29.