O desporto convencional e os novos desafios da cultura urbana

O desporto convencional, aquele que conhecemos, que integra o movimento olímpico enfrenta várias dificuldades, principalmente na manutenção dos índices de popularidade que já teve.

De todo, o movimento olímpico carece de reflexão e de tomadas de posição que poderão ser drásticas. De facto, o modelo conhecido até aqui, que continua a trazer lucros para o COI (Comité Olímpico Internacional), mostra-se altamente ruinoso para os países que acolhem os Jogos Olímpicos, de acordo com as notícias do estado de abandono de que sofrem várias infraestruturas concebidas em exclusivo para os Jogos.

Há relatos desse abandono e de não aproveitamento do que foi construído na Grécia, na China, no Brasil. Por isso, a atitude dos norte-americanos de destruírem algumas construções que fizeram para os Jogos de 1996, em Atlanta, e de reciclarem outras, foi a melhor das atitudes a tomar.

Quem dera que isso tivesse sido feito em Portugal com alguns “elefantes brancos” pós 2004!

Mas, regressando ao movimento olímpico, já se questiona o impacto económico que a organização suscita, e até mesmo o futebol profissional, tenta encontrar soluções diferentes para as mega organizações, com o próximo europeu a realizar-se em diversos países.

No fundo é uma questão de economia e financiamento. Curiosamente, algo que um conjunto de atletas olímpicos alemães entende em insistir colocar na agenda do COI, pois assegura que há uma larga percentagem de dividendos que não estão a chegar aos atletas, no fundo, a matriz dos Jogos. Contudo, o COI já respondeu, dizendo que já implementou e continua a implementar diversas medidas que vão nesse sentido.

Os Jogos Mundiais Urbanos

Como se não bastasse as suas próprias crises de crescimento, o desporto convencional enfrenta outros focos de divergência de participantes e patrocinadores, como os desportos urbanos, que vão somando praticantes fora da sua esfera, começando a organizar-se em movimentos próprios, como os primeiros “Jogos Mundiais Urbanos”, cuja primeira edição se realizará em Budapeste, em setembro deste ano.

Sob a égide da GAISF, sigla internacional da Global Association of International Sports Federations (Associação Global das Federações Desportivas Internacionais), a primeira edição terá as disciplinas competitivas de “Parkour”, “BMX Freestyle”, “Freestyle flying disc” (Disco Voador), freestyllle roller (patinagem em linha), “breaking” (break dance) e basquetebol 3×3. Depois, haverá duas disciplinas modalidades de exibição, “indoor rowing” (máquinas de remo de ginásio) e “laser run” (a disciplina combinada de corrida e tiro com pistola laser).

Atendendo ao crescimento mundial de algumas destas modalidades de cultura mais urbana (parkour, patins em linha, BMX e mesmo breakdance), existem duas (basquetebol 3×3 e laser run), sob a égide de federações olímpicas, que muito têm crescido e se mostram verdadeiras alternativas às suas modalidades matrizes, o basquetebol e o pentatlo moderno.

Não está fácil captar novos praticantes com todas as ofertas que existem e que anseiam por exposição mediática como os Jogos Olímpicos, mas que exigem muito menos em termos de infraestruturas!

E vejamos estes três números: os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro tiveram um orçamento 13 biliões de dólares, os Jogos Europeus de Minsk 2019 (com 12 ou 13 modalidades), têm um custo de 30 a 40 milhões de dólares, e estima-se que o orçamento destes World Urban Games esteja à volta de 7 milhões de dólares!