Irina Rodrigues dá mote a Portugal

Irina Rodrigues foi a principal figura da primeira jornada do Campeonato da Europa de Nações, primeira Liga, que decorre em Sandnes, na Noruega, ao vencer a prova do lançamento do disco com a marca de 58,16 metros, conseguida ao terceiro ensaio (mas qualquer um dos lançamentos que fez dava para triunfar).

Irina Rodrigues chegou com a melhor marca de todas as concorrentes e isso trouxe para si duas sensações, «o facto de estar na liderança deixava-me mais à vontade, mas sentia também aquela pressão de ser a primeira e dar o máximo de pontos possível. Cumpri o objetivo, estou contente por isso. Mas gostava que tivesse sido uma marca melhor. Importa referir que o vento, forte nalguns momentos, afetou-me bastante, tal como a outras concorrentes que lançam como eu, pois somos destras e o vento estava da esquerda», referiu a atleta que somou o seu segundo triunfo consecutivo nesta primeira Liga.

O frio que se foi fazendo sentir ao longo do concurso também foi difícil para as atletas, com Irina Rodrigues a desvalorizar esse facto, «pois nós estamos habituados a treinar com calor, mas também temos de treinar no inverno. Agora, na verdade, chegarmos cá e termos de por duas camadas de roupa para estarmos confortáveis, isso influencia um pouco os resultados», concluiu a atleta antes de rumar ao controlo anti-doping, mas ciente do valor que tem e do trabalho efetuados, que se tem traduzido com bons resultados nas últimas competições, sempre acima dos 60 metros.

António Vital e Silva com o melhor resultado da década

 

Os primeiros pontos foram conseguidos por António Vital e Silva, com um lançamento do martelo a 68,72 metros, logo no primeiro ensaio, naquela que foi a melhor prestação portuguesa na última década nesta competição, ocupando o sexto lugar da classificação, angariando assim seis pontos para Portugal.

No final da sua participação, António Vital e Silva manifestou um sentimento «agridoce, pois consegui a melhor prestação dos últimos anos, mas não consegui um resultado que sei estar a valer. Arrisquei, mas o lançamento não saiu como eu queria. Sabia que teria de lançar bem acima dos 72 metros para chegar aos quatro primeiros, mas ainda não foi agora».

António Vital e Silva estava longe de saber que igualou o pai em número de anos de participação na antiga Taça da Europa (em três anos registou cinco presenças, pois naquela altura havia uma competição eliminatória antes da final).

«Não sabia desse facto», disse o atleta, «orgulhoso pelo percurso do pai e honrado por ele me ajudar a conseguir estar aqui presente, a fazer o meu melhor por Portugal», referiu.

A participação portuguesa começou antes com Daniela Amaro a ser quarta na série B dos 100 metros, prova extra, terminando com a marca de 12,59 segundos (v: -3,7 m/s).

Entretanto, na eliminatória dos 110 m barreiras, Rasul Dabo apurou-se diretamente para a final ao ser terceiro com 14,23 segundos (-1,5), e Olímpia Barbosa também ficou apurada para a final dos 100 metros barreiras, com a marca de 13,85 segundos (quarta na sua série, com vento -0,4 m/s).

Seguiram-se as provas de 100 metros, com Carlos Nascimento a controlar a corrida masculina, terminando em segundo lugar da sua série com a marca de 10,68 (-1,4 m/s), enquanto Lorene Bazolo venceu a sua série (e foi a melhor de todas) em 11,52 segundos (+0,7). A atleta alinhou alguns minutos depois na segunda série dos 200 metros, sendo segunda classificada com 23,76 (-0,8 m/s). Diogo Antunes também se apurou para a final dos 200 metros masculinos ao ser terceiro com a marca de 21,56 segundos (-0,3).

Nas provas de 400 metros planos, apesar de se deixar surpreender nos metros finais, Ricardo dos Santos conseguiu o apuramento para a final com a marca de 47,14 segundos. Mais folgado o apuramento de Cátia Azevedo, que terminou em 52,72 segundos, a controlar o ritmo.
O mesmo sucedeu com Barbosa, vencedora da sua série de 400 m barreiras, com a marca de 56,96 segundos. Na prova masculina, Ricardo Lima também conseguiu fazer uma boa prova e apurou-se para final com 52,51 segundos.

Embora se tenham disputado apenas duas provas, Portugal segue na frente da classificação coletiva com 17 pontos, tendo deixado boas perspetivas para as duas jornadas que ainda faltam.

 

Texto: comunicação FP Atletismo
Fotos: Erik van Leeuwen / FP Atletismo