Portugal sai dos Europeus de Corta-Mato com três medalhas

Replicamos aqui o que escrevemos para a Federação Portuguesa de Atletismo:

Seniores femininos, sub20 masculinos e Mariana Machado (sub20) foram os autores desta conquista, que não sucedia desde 2013!

Portugal conseguiu mostrar a sua valia nos 26ºs Campeonatos da Europa de corta-mato, competição realizada no Parque da Bela Vista, em Lisboa, num percurso difícil, com excelente organização, que juntou numeroso público, que se constituiu como o tónico especial para a atuação portuguesa.

Com três medalhas conquistadas, todas de bronze, coletiva em seniores femininos e sub20 masculinos e individual por Mariana Machado (sub20), Portugal soma agora 59 medalhas conquistadas no historial da competição. Desde 2013 que Portugal não conquistava medalhas, precisamente o ano da última medalha de Ana Dulce Félix. Que regressou este ano, para obter a sua nona medalha, e que fechou aqui o seu ciclo nos Europeus de Corta-Mato.

Com cerca de meia seleção em estreia, Portugal melhorou em vários casos as suas melhores prestações dos últimos anos.

Os seus melhores desempenhos surgiram nas provas dos escalões mais jovens (sub20) e nas seniores femininas, mas as estreias foram positivas e prometem mais para o futuro da modalidade. Registe-se, também, que em relação à prova de seleção, quase todos os que estiveram presentes nessa competição melhoraram os seus registos, como prova da aposta que fizeram com os seus treinadores, num conjunto de iniciativas que foram promovidas pelo selecionador nacional desde o início da época, com vários momentos de concentração e mini-estágios.

No final, Portugal ficou em 14º lugar na tabela das medalhas (pela categoria), mas em quinto lugar (partilhado) no ranking pelo total das medalhas conquistadas. Na liderança surgiram a Grã-Bretanha (seis medalhas, cinco de ouro, uma de bronze), França, Itália e Irlanda logo depois com quatro cada, Noruega, Turquia e Portugal com três.

Na classificação por pontos, Portugal terminou em sexto lugar com 32 pontos, superada pela Grã-Bretanha (70), França e Itália (ambas com 44), Irlanda (41) e Turquia (34).

Sara Moreira recebeu medalha de 2012

 

Entretanto, Sara Moreira recebeu a medalha de prata referente à prova de 5000 metros dos Campeonatos de Helsínquia, em 2012, numa cerimónia colocada a antecipar as entregas de medalhas da competição, tendo ela própria entregue medalhas no programa dos campeonatos da Europa de Corta-Mato, que aqui detalhamos.

Sub20 masculinos – A primeira surpresa ou primeira confirmação?

A primeira medalha do dia surgiu logo na prova de abertura, com a equipa de sub20 a conquistar o bronze coletivo, contribuindo para isso um excelente Etson Barros (estreante), que terminou a corrida em 4º lugar, após um sprint final rapidíssimo. Etson apenas foi superado pelo incontornável Jakob Ingebrigtsen (NOR), que conquistou o seu QUARTO triunfo em sub20, pelo turco Ayetullah Aslanhan e pelo irlandês Efrem Giday (que foi mais rápido quatro segundos que o português).

Contudo a equipa é formada por três elementos e quem contou para isso foram Duarte Gomes (14º, fora 38º em 2018) e Miguel Moreira em 21º (estreia). Quanto aos restantes elementos da equipa, Ruben Amaral (estreante) foi 44º e Miguel Ribeiro foi 62º (82º em 2018) tiveram boas prestações e Nuno Pereira desistiu.

Coletivamente, Portugal somou 39 pontos (os mesmos da Irlanda) e ganhou o bronze por ter fechado primeiro a equipa – 21º contra 24º lugar. A Grã-Bretanha ganhou o ouro e a Noruega foi segunda. Portugal não subia ao pódio desde 2010, curiosamente desde Albufeira’2010.

1º Jakob Ingebrigtsen NOR 18.20
2º Ayetullah Aslanhan TUR 18.58
3º Efrem Giday IRL 19.01
4º Etson Barros POR 19.05
……………………………………………..
14º Duarte Gomes POR 19.23
21º Miguel Moreira POR 19.29
44º Ruben Amaral POR 19.51
62º Miguel Ribeiro POR 20.10
Nuno Pereira POR des.
Por equipas:
1º Grã-Bretanha 25
2º Noruega 38
3º Portugal 39

Sub20 Femininos – Mariana Machado cumpriu objetivos

Mariana Machado tem progredido imenso e no seu último ano em sub20 surgiu forte, como Rafael Lopes aqui escreveu, «na forma ideal para poder igualar os feitos de Mónica Rosa, Inês Monteiro ou Jéssica Augusto (todas medalhadas enquanto juniores nesta competição)».

No duro percurso do Parque da Bela Vista, Mariana mostrou ao que vinha e lutou com todas as suas forças para chegar ao pódio, o que conseguiu, com o bronze, vendo a italiana Nadia Battocletti a obter o seu segundo título consecutivo, enquanto a eslovena Kiara Lukan fez toda a corrida a esperar o momento de ultrapassar a portuguesa, o que conseguiu.

Como demonstrara na prova de seleção duas semanas antes, Lia Lemos terminou no top 20 (18ª, fora 49ª em 2018). De resto, com quatro estreantes na equipa, foi Bárbara Neiva quem fechou a equipa em 34ª, enquanto Camila Gomes (50ª), Mónica Silva (59ª) e Cátia Pereira (66ª) cumpriam a sua missão.
Portugal (equipa promissora que apenas verá Mariana Machado e Mónica Silva subirem de escalão) terminava em quinto lugar, atrás da Grã-Bretanha (ouro), Itália (prata), França (bronze) e Suíça.

1º Nadia Battocletti ITA 13.58
2ª Klara Lukan SLO 14.01
3ª Mariana Machado POR 14.10
……………………………………………..
18ª Lia Lemos POR 14.57
34ª Bárbara Neiva POR 15.14
50ª Camila Gomes POR 15.30
59ª Mónica Silva POR 15.41
66ª Cátia Pereira POR 15.56
Por equipas:
1º Itália 29
2º Grã-Bretanha 29
3º França 38
…………………………………………….
5º Portugal 55

Sub23 Masculinos – Muito a melhorar para Portugal

O escalão sub-23 é dominado há três anos consecutivos pela França, muito por força de Jimmy Gressier (que também levou os gauleses a dois triunfos coletivos em sub20 em 2015 e 2016), tri-campeão europeu da categoria (consecutivamente!).

Voltou a verificar-se isso numa corrida em que Portugal tem de melhorar bastante. O seu melhor atleta foi Alexandre Figueiredo (38º), o único na primeira metade da tabela. Isaac Nader, que mostrara uma valia idêntica à de Alexandre Figueiredo na prova de seleção, não esteve no seu melhor (também vítima de um pequeno percalço), vendo Ricardo Ferreira (53º) e Jorge Moreira (57º) fecharem a equipa (no 13º lugar coletivo), cortando ele a meta em 68º, à frente de Cristiano Borges (69º) e Filipe Vitorino (76º).

1º Jimmy Gressier FRA 24.17
2º Elzan Bibic SER 24.25
3º Abdessamad Oukhelfen TUR 24.34
……………………………………………..
38º Alexandre Figueiredo POR 25.53
53º Ricardo Ferreira POR 26.12
57º Jorge Moreira POR 26.26
68º Isaac Nader POR 26.57
69º Cristiano Borges POR 27.06
76º Filipe Vitorino POR 27.34
Por equipas:
1º França 17
2º Itália 29
3º Alemanha 45
…………………………………………….
13º Portugal 148

 

Sub23 Femininos – Melhorias da equipa

Em relação a 2018, a equipa de sub23 subiu na classificação (de 13º para 9º), mas tem claramente de melhorar para chegar mais perto do pódio.

Metade da equipa estreava-se o que significa falta de experiência destes ritmos competitivos, e a referência para todas era Lília Martins, que no ano passado fora a melhor, em 42º lugar. As três primeiras até superaram esse registo, com Manuela Martins a ser a melhor em 26º lugar, logo seguida por Joana Ferreira (28ª), que há duas semanas venceu destacadamente a prova de seleção, com Lília Martins a melhorar dez posições em relação a 2018.

As restantes terminaram até ao 55º posto (Beatriz Rodrigues, 44ª, Sara Monteiro, 48ª, e Sara Duarte, 54ª).

Com triunfo da Holanda, coletivamente, Portugal fechou em 9º lugar. Individualmente, a dinamarquesa Anna Emilie Moller conquistou o seu segundo triunfo.

1ª Anna Emilie Moller DIN 20.30
2ª Jasmijn Lau HOL 21.09
3ª Stephanie Cotter IRL 21.15
……………………………………………….
26ª Manuela Martins POR 22.23
28ª Joana Ferreira POR 22.26
32ª Lília Martins POR 22.36
44ª Beatriz Rodrigues POR 23.14
48ª Sara Monteiro POR 23.21
54ª Sara Duarte POR 24.10
Por equipas:
1º Holanda 17
2º Irlanda 29
3º Grã-Bretanha 40
…………………………………………….
9º Portugal 86

Estafeta mista em sexto lugar

Foi a segunda presença de Portugal na prova de estafeta mista e o resultado foi muito bom, com o quarteto português a fechar a prova na sexta posição (em 12 equipas), terminando assim na primeira metade da classificação. Depois da estreia em 10º lugar no ano passado…

Individualmente, Salomé Afonso (a única que correra a prova em 2018) abriu o quarteto com o quarto melhor registo da sua volta, seguindo-se o estreante Paulo Rosário (que quebrou um pouco no final), Patrícia Silva (que estivera um europeu como júnior) e o também estreante Luís Monteiro (que progrediu muito no final).

À frente deles, a Grã-Bretanha reconquistou o título de 2017, perdido para a Espanha em 2018, equipa que ficou agora em quarto lugar atrás da Bielorrússia (terceira em 2018) e da França (segunda no ano passado).

1º Grã-Bretanha 17.55
2º Bielorrússia 18.01
3º França 18.05
……………………………………………..
6º Portugal 18.29
Salomé Afonso – 5.05 minutos (4º tempo), Paulo Rosário – 4.08 (9º), Patrícia Silva -4.49 (7º) e Luís Monteiro – 4.28 (7º)

Seniores Masculinos – À procura de liderança

Há alguns anos que os seniores portugueses procuram alcançar resultados mais proeminentes.

Numa equipa com apenas seis participações anteriores neste escalão (André Pereira e Miguel Marques, os mais internacionais, só no ano passado competiram na categoria), o nome que se registava com mais peso era o de Rui Teixeira, campeão de Portugal em 2018 e 2019. Contudo, também Rui Teixeira regressava após largo interregno e não conseguiu ser muito forte nesta prova, num percurso onde dominara no nacional de 2018.

Foram precisamente André Pereira (capitão de equipa), no 21º lugar, Miguel Marques (29º) e o estreante Luís Saraiva (31º), quem jogou tudo e surgiu na primeira metade da classificação, fechando a equipa portuguesa no sétimo lugar, o melhor desde 2011. Hugo Almeida (55º) e Rui Teixeira (56º) completaram a prova, enquanto Paulo Barbosa desistiu.

1º Robel Fsiha SUE 29.59
2º Aras Kaya TUR 30.10
3º Yemaneberhan Crippa ITA 30.21
……………………………………………..
21º André Pereira POR 31.22
29º Miguel Marques POR 31.32
31º Luís Saraiva POR 31.34
55º Hugo Almeida POR 32.32
56º Rui Teixeira POR 32.39
Des. Paulo Barbosa POR des.
Por equipas:
1º Grã-Bretanha 36
2º Bélgica 38
3º Espanha 45
……………………………………………..
7º Portugal 81

Seniores Femininos – Momento mais saboroso guardado para o final

Na véspera, Rafael Lopes escrevera: «Na última prova do programa, pode acontecer uma bela surpresa…», referindo o regresso de Ana Dulce Félix (4ª em 2009, 3ª em 2010, 2ª em 2011 e 2012, e 3ª em 2013) à seleção que apenas contava com três elementos, o número mínimo para pontuar.

Aos 37 anos, sem lutar pelo pódio, mas em busca dos melhores lugares, Dulce Félix ainda foi assustando adversárias, mas lá na frente Yasemin Can (que conquistou o seu quarto título consecutivo) mostrava-se imparável e deixou longe as suas adversárias mais diretas, Karoline Grovdal (NOR) e Samrawit Mengsteab (SUE). Curiosamente, a irlandesa Fionualla McCormak cumpria a sua 16ª participação com um 4º lugar (aos 35 anos).

No final, Dulce Félix foi oitava e Salomé Rocha, que tem sido a melhor portuguesa em Campeonatos Europeus de Corta-Mato desde que Dulce Félix se ausentou, mostrou-se em forma e foi 10ª classificada (o seu melhor) e um tónico para que Susana Francisco se excedesse com um 25º posto, lutado e sofrido, garantindo assim a medalha de bronze para Portugal, com 43 pontos, a escassos dois pontos (duas ultrapassagens alemãs no final impediram esse feito) da Irlanda (41) com a Grã-Bretanha mais inacessível.

1ª Yasemin Can TUR 26.52
2ª Karoine Grovdal NOR 27.07
3ª Samrawit Mengsteab SUE 27.43
…………………………………………….
8ª Dulce Félix POR 28.09
10ª Salomé Rocha POR 28.13
25ª Susana Francisco POR 29.08
Por equipas:
1º Grã-Bretanha 26
2º Irlanda 41
3º Portugal 43

 

Fotos: Federação Portuguesa de Atletismo