À terceira não houve recorde, mas…

Por Pedro Pires, especial para o MelhorMarca.pt

Depois de dois recordes mundiais consecutivos na Vara, todas as atenções em Liévin se centravam em Armand Duplantis, o jovem prodígio de 20 anos. O sueco, já com o concurso ganho (no qual bateu o bi-campeão mundial ao ar livre, Sam Kendricks…), tentou desta vez passar os 6.19 metros, mas – apesar de ter parecido que poderia claramente passar no seu 2º salto, como se pode ver na imagem abaixo – hoje não era dia de somar mais um centímetro à sua melhor marca pessoal.

Ficou-se por “apenas” 6.07 metros, bastante confortáveis, o que em qualquer outra circustância seria uma marca do outro mundo e grande destaque. Escusado será dizer que, caso Duplantis consiga manter esta forma, será um nome muitas vezes falado em 2020.

Na velocidade – e poucos dias depois de Christian Coleman ter corrido o 2º melhor tempo da história – o norte-americano Ronnie Baker voltou a provar que está totalmente recuperado da lesão e que irá ser um osso duro de roer nesta temporada. Hoje correu os 60 metros em 6.44 segundos, tornando-se no 2º homem mais rápido nesta temporada, apenas atrás de Coleman. Já na distância com barreiras, para gáudio do público (e comentadores!) locais, Pascal Martinot-Lagarde mostrou estar já em grande forma, correndo em 7.47 segundos, marca líder europeia e 2ª melhor mundial. Nos 1.500 metros, o etíope Samuel Tefera não desiludiu e correu em marca lider mundial, com 3:35.54, mas o grande destaque da meia/longa distância foram os 3.000 metros, que contaram com as cinco melhores marcas do ano e com uma surpreendente vitória do etíope Getnet Wale (especialista com obstáculos), que bateu o seu compatriota Selemon Barega (que foi Prata nesta distância nos últimos mundiais), com um tempo vencedor de 7:32.80.

Wale mostra que não precisa de obstáculos

Já nos saltos, além do show de Duplantis, também Hugues Fabrice Zango, da Burkina Faso, continua a mostrar estar em excelente forma, ao chegar, hoje, aos 17.51 metros no Triplo.

No feminino, a atleta da Gâmbia, Gina Bass, tem sido uma das grandes surpresas desta temporada indoor e hoje mais uma vez provou porquê. Bateu a campeã mundial – a costa-marfinense Murielle Ahouré – ao correr os 60 metros em 7.11 segundos, um novo recorde pessoal e nacional para uma atleta que antes desta temporada nunca tinha feito uma prova em pista coberta! Nos 800 metros, mais um excelente resultado para a britânica Jemma Reekie, que correu a distância em 2:00.34, batendo a atual campeã mundial da distância ao ar livre (Hallimah Nakaayi, do Uganda), enquanto que nos 1.500 metros, uma rápida prova da etípe Gudaf Tsegay proporcionou-lhe um grande recorde do meeting, em 4:00.60. Nas provas de meia distância, houve ainda tempo para uns pouco usuais 2.000 metros obstáculos que foram vencidos com a melhor marca de sempre nessa disciplina (a eslovena Marusa Mismas venceu em 5:47.79).


Também Sandi Morris tentou um recorde mundial hoje

Por fim, nos saltos, a norte-americana Sandi Morris ainda tentou recorde mundial indoor na Vara, mas acabou por se contentar com a vitória aos 4.83 metros, enquanto a ucraniana Maryna Bekh-Romanchuk voltou a mostrar enorme consistência, vencendo o concurso do Comprimento com um salto de 6.90 metros.

Todos os vencedores do Meeting de Liévin
Masculino
60 metros: Ronnie Baker (USA), 6.44
800 metros: Collins Kipruto (KEN), 1:46.34
1.500 metros: Samuel Tefera (ETH), 3:35.54 WL
3.000 metros: Getnet Wale (ETH), 7:32.80 WL
60 metros barreiras: Pascal Martinot-Lagarde (FRA), 7.47
Salto com Vara: Armand Duplantis (SWE), 6.07 metros
Triplo Salto: Hugues Fabrice Zango (BUR), 17.51 metros

Feminino
60 metros: Gina Bass (GM), 7.11
800 metros: Jemma Reekie (GBR), 2:00.34
1.500 metros: Gudaf Tsegay (ETH), 4:00.60
60 metros barreiras: Nia Ali (USA), 7.92
2.000 metros obstáculos: Marusa Mismas (SLO), 5:47.79 WB
Salto com Vara: Sandi Morris (USA), 4.83 metros
Salto em Comprimento: Maryna Bekh-Romanchuk (UKR), 6.90 metros