Portugueses nos melhores mundiais de sempre

A seleção de Portugal, com algumas exceções, participou discretamente nos Campeonatos do Mundo de Meia Maratona, que se realizaram no sábado passado em Gdynia, na Polónia. A equipa masculina, a única completa, terminou em 19º lugar. Samuel Barata foi o melhor português, em 40.º lugar, com a marca de 1h02m19s, recorde pessoal. Em femininos, Portugal não se fez representar coletivamente.

À partida da competição, que englobava, no conjunto dos dois géneros, cerca de 250 atletas de mais de 50 países, os atletas portugueses estavam em posições muito modestas, no que concerne aos seus recordes pessoais, piores eles, que elas.

Em termos masculinos, alinharam à partida 122 atletas e, em termos dos seus melhores registos de sempre, o melhor dos portugueses, Rui Pinto, estava com a 63ª melhor marca dos inscritos, onde não figuravam Joshua Cheptegei (que se estreava e foi quarto classificado) e Morhad Amdouni (nascido em França, Porto-Vechio), também estreante, que viria a ser o melhor europeu, com recorde nacional. Quanto aos restantes portugueses, Samuel Barata estava na posição 66, Nuno Lopes na posição 100 e Luís Saraiva em 122.

Apesar de estes nossos compatriotas não terem o palmarés de outros representantes no passado glorioso do meio-fundo (que poucas vezes se expressou nestes mundiais…), a verdade é que Samuel Barata e Luís Saraiva superaram bastante as credenciais que traziam para esta competição. Com o seu 40º lugar, com recorde pessoal, o atleta do Benfica terminou 26 lugares acima da sua posição de partida, atendendo aos recordes pessoais (por curiosidade, refira-se que os dois atletas quenianos que não pontuaram para a sua equipa, fizeram pior tempo que o português), e o mesmo sucedeu com Luís Saraiva, que também superou o seu recorde pessoal (1h03m56s), chegando em 78º (44 posições acima da tabela de partida). Já Nuno Lopes, 107º classificado, com 1h06m30s, ficou aquém da sua posição de partida. Rui Pinto acabou por desistir.

Bem mais à frente, foi um ugandês quem conseguiu o título mundial, mas não aqueles em que todos apostavam. Com efeito, Jacob Kiplimo, o campeão dos mundiais de corta-mato de 2017, em Sub-20, e medalha de prata no ano passado nos mundiais de corta-mato surpreendeu toda a gente, assumindo a liderança, juntamente com o queniano Kibiwott Kandie, para se distanciar ao quilómetro 20 e cortar a meta com a marca de 58m49s. Kandie assegurou a medalha de prata (58m54s) e , também ela abaixo da anterior melhor desta competição. Em terceiro lugar classificou-se o etíope Amedework Walelegn (59:08) e fora do pódio ficou o favorito Joshua Cheptegei (59m21s). Por equipas, triunfo do Quénia, por 15 segundos, relegando Etiópia e Uganda para as restantes posições do pódio.

Recorde mundial na prova feminina

A competição feminina ganhou o epíteto de melhor meia maratona feminina de sempre, com uma corrida emocionante, marcada por um ritmo forte desde os primeiros metros imposto por um grupo de seis atletas, liderado quase sempre por Peres Jepchirchir, que acabou por carimbar a vitória com novo recorde do mundo da distância em provas exclusivamente femininas (1h05m16s), apesar de ter de recuperar de uma queda quando faltavam menos de cinco quilómetros para a meta; e de encontrar forças para um sprint final contra a grande vontade de fazer história da segunda classificada, a alemã Melat Kejeta (1h05m18s), que bateu o recorde europeu na meia maratona exclusivamente feminina, o recorde nacional alemão na distância e conseguiu colocar a Europa no pódio da competição, algo que não acontecia desde 2008. A terceira posição foi conquistada pela etíope Yalemzerf Yehualaw, que bateu o seu recorde pessoal, com a marca de 1h05m19s, também abaixo do anterior recorde mundial de Jepchirchir.

Por curiosidade, além dos recordes anteriormente destacados, foram batidos mais oito recordes nacionais e 65 recordes pessoais. Em termos coletivos, venceu a Etiópia, seguida do Quénia e, em terceiro lugar, classificou-se a Alemanha.

Quanto às portuguesas, em dia de aniversário, Sara Moreira (registava o 23º melhor recorde pessoal entre as participantes), que passou por duas épocas de lesões, foi a melhor portuguesa, terminando na 39.ª posição, com o tempo de 1h11m39s, a melhor marca nacional feminina da época na distância.

Já Jéssica Augusto terminou a prova em 82.º lugar, com o tempo de 1h15m29s, a segunda melhor marca nacional feminina da época na distância.

Por António Fernandes (fonte e foto – comunicação da FPA)